John Carmack, co-fundador da id Software e um dos principais responsáveis pela criação de Doom, voltou a jogar o clássico de 1993 durante a QuakeCon deste ano e confessou estar enferrujado. O evento, realizado em Gaylord, Texas, reuniu veteranos e fundadores da id Software para uma conversa e reunião comemorativa, e Carmack aproveitou a ocasião para testar a versão do jogo disponível no Evercade.
Em publicação no X, o programador lendário relatou que sentou para experimentar rapidamente o port, mas acabou perdido nas fases mais antigas. “Sentei para testar o port do Doom no Evercade, e antes de perceber, já estava no nível quatro, percebendo que tinha esquecido onde ficavam todos os keycards“, escreveu Carmack. “Acabei levando 15 minutos em cada um dos níveis quatro e cinco. Ainda é um ótimo jogo depois de todos esses anos!”
I sat down to try the Evercade Doom port, and before I knew it, I was on level four, and realizing that I had forgotten where all the keycards were. It wound up taking me 15 minutes each on level four and five. Still a great game after all these years! https://t.co/LXdESPLAzQ
— John Carmack (@ID_AA_Carmack) August 8, 2026
A confissão tem um peso cômico quando confrontada com os tempos oficiais das fases em questão: E1M4 tem tempo de referência de 1 minuto e 30 segundos, enquanto E1M5 prevê 2 minutos e 45 segundos. Carmack, portanto, levou cerca de dez vezes mais que o esperado em cada uma delas, mas o entusiasmo na mensagem fala por si só.
A relação de Carmack com Doom também contrasta com a de seu antigo companheiro de id Software, John Romero. Romero continua bastante ativo na comunidade de Doom e, ao longo dos últimos anos, voltou a trabalhar diretamente com a franquia por meio de novos projetos e expansões. Entre eles está Sigil, sua expansão criada para o Doom original, além de sua participação em conteúdos relacionados à comunidade de mods.
Essa diferença é interessante porque mostra que os criadores do jogo seguiram caminhos bastante distintos, mesmo décadas depois do lançamento. Enquanto Carmack parece não ter tanto contato com o jogo original, Romero continuou profundamente ligado ao universo e à comunidade de Doom.
O caso de Carmack também contrasta com uma declaração feita anteriormente por Swen Vincke, CEO da Larian Studios. Vincke já explicou que não voltou a jogar Ultima 7, um de seus jogos favoritos e uma das principais inspirações para seu trabalho, desde os anos 1990. A razão é bastante diferente: ele teme que a experiência atual não corresponda às lembranças que guarda do jogo.
O executivo também comentou que passar anos trabalhando intensamente em seus próprios jogos faz com que, depois do lançamento, não tenha necessariamente vontade de voltar a eles. Carmack parece ter uma relação diferente com sua antiga criação. Mesmo sem lembrar exatamente onde estavam todos os itens, bastaram alguns minutos para que ele mergulhasse novamente no jogo.
Fonte: PC Gamer
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