A aquisição da Electronic Arts por um consórcio de investidores liderado pelo Fundo de Investimento Público (PIF) da Arábia Saudita foi finalmente concluída em uma transação avaliada em US$ 55 bilhões. Com isso, a empresa encerra mais de três décadas como companhia de capital aberto. A partir de 4 de agosto de 2026, a EA passou a ser uma empresa privada, com controle majoritário do fundo soberano saudita, ao lado das gestoras Silver Lake e Affinity Partners.
A operação é considerada a maior compra alavancada da história da indústria dos games. Do valor total, aproximadamente US$ 36 bilhões vieram de aportes do PIF, da Silver Lake, da Affinity Partners e da participação que o próprio PIF já possuía na EA. Outros US$ 20 bilhões foram financiados por meio de dívida concedida pelo JPMorgan Chase, que agora terá que ser paga pela EA.
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Um novo capítulo para a Electronic Arts
Apesar da mudança de controle, a Electronic Arts continuará operando a partir de sua sede em Redwood City, na Califórnia, com Andrew Wilson permanecendo como CEO da companhia. Em comunicado celebrando a conclusão da aquisição, Wilson afirmou que a EA inicia uma nova fase ao lado de parceiros que compartilham da mesma visão de longo prazo para a empresa.
“Este momento reconhece as pessoas extraordinárias cuja criatividade, ambição e paixão fizeram da EA uma das maiores empresas de entretenimento interativo do mundo. Estamos entrando neste novo capítulo a partir de uma posição de força, ao lado de parceiros que compartilham nossa visão e nossa ambição.”
Wilson acrescentou que a nova estrutura societária permitirá à EA investir de forma mais agressiva em inovação e no desenvolvimento de futuros jogos e experiências para sua base global de jogadores. A empresa já havia informado aos funcionários que manterá sua independência criativa sob os novos proprietários e que não há planos para demissões imediatas em decorrência da aquisição.
Arábia Saudita amplia sua influência na indústria dos games
A compra reforça ainda mais a crescente presença da Arábia Saudita no mercado de videogames. Por meio do Fundo de Investimento Público, do Savvy Games Group e de outros veículos de investimento, o país acumulou participações em diversas empresas do setor na última década, incluindo Nintendo, Capcom, Nexon, Take-Two Interactive, Scopely e SNK.
Essa estratégia faz parte do plano do governo saudita de diversificar sua economia por meio de investimentos nos setores de entretenimento e tecnologia. Turqi Alnowaiser, vice-governador e chefe de Investimentos Internacionais do PIF, afirmou que o fundo enxerga a EA como um investimento estratégico de longo prazo.
“Entretenimento e esportes são áreas estratégicas para o PIF. Juntos, os integrantes do consórcio estão em uma posição única para serem parceiros de longo prazo da equipe de gestão da EA, impulsionando crescimento sustentável e inovação para a empresa e para a indústria.”

Negociação continua gerando controvérsia
Embora a aquisição tenha sido aprovada por órgãos reguladores de importantes mercados, incluindo Estados Unidos e União Europeia, a transação gerou críticas de parlamentares, organizações trabalhistas e entidades de defesa dos direitos humanos.
Os críticos argumentam que a Arábia Saudita utiliza investimentos em esportes, games e entretenimento como uma forma de melhorar sua imagem internacional frente às preocupações relacionadas ao histórico de direitos humanos do país.
O PIF é presidido pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, cujo governo continua sendo alvo de críticas de organizações internacionais. O príncipe também permanece sob escrutínio internacional por acusações relacionadas ao assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, em 2018, alegações que autoridades sauditas negam.
Mesmo diante dessas controvérsias, a aquisição foi oficialmente concluída, tornando a Electronic Arts uma empresa de capital fechado pela primeira vez desde 1990 e inaugurando um novo capítulo para uma das maiores publishers de jogos do mundo.
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Fonte: Game Developer