Xbox Game Pass
O Xbox Game Pass pode estar prestes a abrir mão de um dos seus maiores atrativos: os lançamentos no primeiro dia de disponibilidade (os day-one). De acordo com o jornalista Jason Schreier, o serviço da Microsoft poderia, com o tempo, adotar um modelo bem mais próximo do PlayStation Plus, sem a garantia de que os grandes títulos do estúdio chegam ao catálogo no mesmo dia em que chegam às prateleiras.
A afirmação foi feita por Jason Schreier em um novo episódio do podcast Triple Click, da Maximum Fun. Lá, o jornalista não poupou palavras ao descrever o clima interno dentro dos estúdios da fabricante.
“Há muitas pessoas na liderança de estúdios dentro do Xbox que absolutamente detestam o Xbox Game Pass e acham que ele destruiu o valor dos jogos delas, que tirou o valor de todos os jogos em geral e tem sido prejudicial para a indústria dos games na visão dessas pessoas, justamente por desvalorizar os jogos.”
Jason Schreier cita o lançamento de South of Midnight como um exemplo recente e concreto do problema. O jogo recebeu críticas razoáveis e foi disponibilizado a um preço reduzido em relação a outros lançamentos do mercado, mas ainda assim foi considerado um fracasso comercial. A lógica é direta: para que pagar 40 dólares por um título quando ele já está disponível dentro do pacote do Xbox Game Pass?
O movimento, aliás, já havia dado sinais anteriores, pois a Microsoft anunciou uma redução no preço do Xbox Game Pass, mas atrelada a uma condição que na época causou espanto: os próximos jogos da franquia Call of Duty deixariam de entrar no serviço como lançamentos de primeiro dia. Isso é significativo porque, à época da aquisição da Activision Blizzard, a promessa de que Call of Duty estaria no Game Pass desde o lançamento era tratada como um dos maiores trunfos estratégicos da empresa.
Por mais que o Xbox Game Pass funcione como serviço e mantenha uma base de assinantes, ele não gera a mesma classe de receita que as vendas unitárias são capazes de proporcionar. Um lançamento de grande porte, vendendo milhões de cópias a preço cheio, produz um volume de receita direta que o modelo de assinatura dificilmente consegue atribuir a um único título, especialmente quando boa parte dos assinantes já estava pagando o serviço antes mesmo de aquele jogo ser anunciado.
A questão que fica no ar é óbvia: sem os lançamentos de primeiro dia, o Game Pass ainda justificaria o mesmo nível de adesão? O modelo do PS Plus da Sony funciona sem essa promessa, mas o PlayStation historicamente nunca construiu sua identidade em torno desse diferencial da mesma forma que a Microsoft o fez. Abrir mão disso seria uma virada relevante na proposta do serviço.
Jason Schreier não afirma que essa mudança é certa ou iminente, mas indica que o debate já é real dentro da empresa. Os últimos anos do Xbox foram marcados por fechamentos de estúdios, reestruturações e um volume expressivo de demissões.
Fonte: Area Jugones
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