O NEO Home Robot, desenvolvido pela empresa 1X Technologies, sediada em Palo Alto, na Califórnia, viralizou recentemente após a divulgação de um vídeo que demonstra suas capacidades manuais e a lista inclui desde tarefas domésticas até o uso de um controle de Xbox e o ato de abrir a blusa de outra pessoa. Impressionante no papel, perturbador na prática.
As mãos do NEO foram o foco central da demonstração. Com articulações finas, o robô aparece executando uma série de atividades no clipe publicado pela 1X Technologies:
O potencial de um robô assistente capaz de realizar tarefas básicas do cotidiano é inegável, especialmente para idosos ou pessoas com deficiência que precisem de auxílio. O problema é o preço: o NEO custa US$ 20.000 para compra direta ou exige uma assinatura mensal de US$ 500. Acessível apenas para quem tem dinheiro sobrando.
Mas há outro detalhe que a 1X Technologies não destacou no vídeo de divulgação: de acordo com uma reportagem do Wall Street Journal, a maior parte das ações demonstradas pelo NEO não é autônoma. Na prática, o robô é operado remotamente por um piloto humano, utilizando equipamento de realidade virtual. Ou seja, enquanto você pede ao NEO para buscar seu salgadinho, existe, muito provavelmente, um estagiário em Palo Alto vendo tudo pelo ponto de vista do robô e executando cada movimento.
A aparência do robô não ajuda muito. O NEO circula pela casa com um suéter branco e luvas brancas, uma combinação que, convenhamos, não transmite a sensação mais acolhedora do mundo. O rosto, brevemente capturado no vídeo enquanto o robô observa uma lâmpada acesa, é composto por olhos completamente negros em uma cabeça sem outros traços. A imagem é, no mínimo, desconcertante.
O próprio vídeo levanta mais perguntas do que respostas. Por que o robô é atacado com um martelo em duas ocasiões diferentes? Por que a escolha foi demonstrar o ato de abrir um moletom, e não o de fechá-lo? E qual é, afinal, a utilidade prática de ensinar o NEO a usar um controle de Xbox?
Por ora, o robô que teoricamente veio para substituir humanos em tarefas cotidianas ainda depende de um humano para funcionar de verdade. O que, de certa forma, adia o apocalipse doméstico por mais algum tempo.
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