Criador de Minecraft detona ESA após entidade chamar servidores privados de “pirataria”

Markus "Notch" Persson criticou a associação por classificar servidores privados como ilegais e afirma que seu jogo jamais deveria ser usado "contra as pessoas".

O criador do Minecraft, Markus ‘Notch’ Persson, saiu publicamente em defesa dos servidores privados do jogo após a Electronic Software Association (ESA) classificar esse tipo de servidor como “ilegal” e uma forma de “pirataria” durante uma audiência no Senado do Estado da Califórnia. A polêmica veio à tona no contexto de um projeto de lei apoiado pelo movimento Stop Killing Games.

O projeto de lei e a audiência

A audiência foi convocada para discutir o chamado Protect Our Games Act, conhecido como CA AB 1921. O objetivo da legislação é obrigar publishers a garantir que seus jogos continuem funcionando de alguma forma mesmo após o encerramento oficial do suporte, o que afetaria diretamente jogos live-service, que dependem de servidores ativos para funcionar. Como solução viável para manter esses títulos acessíveis após o desligamento dos servidores oficiais, o tema dos servidores privados foi levantado, com o Minecraft sendo citado como exemplo de referência.

Foi aí que Jennifer Gibbons, VP de Assuntos Governamentais Estaduais da ESA, entrou com um argumento que gerou estranheza. Gibbons afirmou que os servidores privados são, na prática, “ilegais“, uma forma de “pirataria” e que, no caso do Minecraft, operam sem a autorização da Microsoft. Ela chegou a comparar esses servidores a um “mercado negro” de games.

O problema com essa argumentação é que ela não se sustenta nem para o próprio título citado como exemplo. O site oficial do Minecraft disponibiliza ferramentas para que jogadores criem seus próprios servidores privados e até mantém um navegador repleto de servidores customizados. A prática é ativamente incentivada pela Mojang, não coibida.

Notch reage: “Isso é até maldade”

Mesmo sem mais vínculo com a franquia, Markus ‘Notch’ Persson não ficou em silêncio. Em post no X, ele foi direto ao ponto ao criticar a postura da entidade:

“Não faço parte de nenhum dos dois lados mais, mas sinto que a ESA está sendo incrivelmente sórdida ao fazer isso”, escreveu Notch. “Nunca gostei deles, mas agora menos ainda. Não desejei que meu trabalho fosse usado contra as pessoas. Isso é até maldade.”

Fonte: IGN

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