Samsung, SK Hynix e Micron, as três maiores fabricantes de DRAM e armazenamento rápido do mundo, são alvo de uma ação coletiva movida em tribunal federal na Califórnia no dia 25 de junho. O processo acusa as empresas de fixação ilegal de preços e de limitação intencional da oferta de memória RAM para manter os valores artificialmente elevados e os efeitos disso chegam diretamente ao bolso de quem compra consoles, PCs e praticamente qualquer eletrônico de consumo.
Segundo a ação, as três companhias teriam restringido deliberadamente o fornecimento de DDR3 e DDR4 RAM, os tipos mais comuns em PCs e consoles, ao mesmo tempo em que direcionavam sua capacidade produtiva para a HBM RAM, um modelo voltado principalmente para datacenters de inteligência artificial. O resultado prático para o consumidor final foi ser forçado a pagar o que o processo chama de “preços inflados” em qualquer dispositivo que use DRAM.
O argumento central da ação é que, em um mercado verdadeiramente competitivo, preços altos atraem novos concorrentes dispostos a suprir a demanda. Isso, no entanto, não aconteceu. As três empresas controlam praticamente toda a oferta global do componente, e a barreira de entrada para qualquer rival é absurdamente alta: construir fábricas de semicondutores com essa capacidade exige um investimento financeiro e um prazo que tornam a concorrência inviável no curto prazo.
Não é a primeira vez
A ação coletiva não deixou de apontar um precedente incômodo para as acusadas: em 2005, tanto SK Hynix quanto Samsung já haviam se declarado culpadas de fixação de preços de DRAM perante o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. O DOJ multou a SK Hynix em US$ 185 milhões e a Samsung em US$ 300 milhões, valor que, à época, era a segunda maior multa criminal antitruste da história do país. A Micron, única empresa americana das três, escapou das acusações ao, segundo os relatos, colaborar com os promotores para construir o caso.
Mais recentemente, o governo chinês conduziu uma investigação sobre práticas similares envolvendo as três companhias no período entre 2016 e 2018, justamente uma fase marcada por uma alta expressiva nos preços de RAM, embora, segundo o processo atual, nada comparado ao que se vê hoje.
Consoles, PCs e até o Steam Machine no meio do fogo cruzado
A escalada no custo da RAM e do armazenamento rápido em SSD não poupou ninguém. Desde criadores independentes de consoles retrô até gigantes como a Apple, que aumentou os preços de MacBooks e iPads recentemente, todos acabaram repassando os custos ao consumidor. No universo dos games, Xbox, PlayStation e Nintendo já realizaram múltiplos reajustes nos preços de seus consoles, com novas altas sendo esperadas.
Um caso que ilustra bem o impacto é o da Valve: a empresa admitiu que o Steam Machine foi precificado muito acima do que havia planejado originalmente e que o produto nem sequer estará disponível em quantidades suficientes para atender à demanda. Um cenário que combina preço proibitivo com estoque baixo, exatamente o retrato pintado pela ação coletiva como consequência direta da suposta manipulação de mercado pelas fabricantes de DRAM.
Fonte: Eurogamer