A A24 se viu no centro de uma polêmica após anunciar uma parceria de pesquisa com a unidade de IA DeepMind do Google. A reação dos fãs foi imediata e hostil nas redes sociais, forçando o estúdio a se pronunciar publicamente para defender o acordo. A resposta veio por meio de uma nota da assessora de comunicação Sophia Shin, divulgada ao Wired, que foi a primeira publicação a reportar a parceria.
“Esta é uma parceria de pesquisa”, disse Shin em comunicado. “Estamos trabalhando lado a lado com os pesquisadores do DeepMind para aprender, iterar e construir, tendo participação ativa na criação de novas ferramentas e fluxos de trabalho.” O estúdio completou: “Preferimos ter um assento à mesa do que ficar de fora.”
Anunciada na última segunda-feira, a parceria concede à A24 e ao seu braço tecnológico, a A24 Labs, acesso à infraestrutura e às pesquisas do DeepMind. Em contrapartida, pesquisadores da unidade do Google trabalharão diretamente com o estúdio para desenvolver novos fluxos de trabalho e mapear quais ferramentas os cineastas podem querer. Dois pontos foram destacados pelo estúdio como garantias: o acordo não concede ao Google acesso à biblioteca de conteúdo ou aos dados da A24, e não há nenhuma obrigação para que os cineastas utilizem as ferramentas desenvolvidas.
Demis Hassabis, CEO e cofundador do DeepMind, publicou um texto em seu blog defendendo a iniciativa. “Ao colaborar com cineastas e líderes da indústria como a A24 desde o início, podemos construir novos recursos de IA para apoiar os artistas em uma narrativa autêntica e significativa que ajude a viabilizar sua visão criativa”, escreveu.
Nas redes sociais, a reação foi dura. A situação se torna ainda mais delicada porque alguns dos cineastas associados à própria A24 já haviam se posicionado publicamente contra o uso de IA generativa. Kane Parsons, diretor de Backrooms, definiu a IA generativa como “um sintoma de podridão cultural e econômica mais ampla” em entrevista ao The Australian no início do mês. Ele foi categórico: “Se eu pudesse estalar os dedos e fazer a IA generativa desaparecer para sempre, provavelmente o faria. Criativamente, não tenho nenhum prazer em usar essas ferramentas. Isso derrota completamente o propósito para mim.”
Os diretores Scott Beck e Bryan Woods, de Herege, distribuído pela A24, chegaram a incluir nos créditos do filme um aviso de que “nenhuma IA generativa foi usada na produção desta obra“. Beck afirmou à época que o estúdio não fez objeções à mensagem. “Estamos em um dos grandes embates éticos no campo criativo”, disse ele ao Variety. “Se não houver pessoas para frear isso, vamos nos encontrar em uma situação muito perigosa em cinco ou dez anos.”
O acordo da A24 com o DeepMind é apenas o exemplo mais recente de uma tendência que vem se consolidando em Hollywood. A Disney firmou um acordo de curta duração com a OpenAI para licenciar seus personagens, ao mesmo tempo em que processava judicialmente empresas de IA como MiniMax e Midjourney por violação de direitos autorais.
A Lionsgate, por sua vez, ampliou recentemente sua parceria com a empresa de IA Runway para desenvolver novas franquias e produzir séries geradas por IA com base em seu catálogo de propriedades intelectuais. Já a Netflix adquiriu a startup de IA para cinema InterPositive, fundada por Ben Affleck, com foco no desenvolvimento de ferramentas para cineastas.
Fonte: Variety
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