O anúncio do Star Fox 64 Remake para o Nintendo Switch 2, com lançamento confirmado para 25 de junho, reacendeu um debate que vai muito além da nostalgia: será que a Nintendo está apostando fichas demais no passado para conquistar o futuro? Dois ex-líderes de marketing da empresa acreditam que sim, e estão vocalizando essa preocupação publicamente.
Kit Ellis e Krysta Yang, que supervisionaram o marketing da Nintendo por quase duas décadas — da era Wii até 2022 — lançaram um vídeo no YouTube intitulado “A Nintendo Precisa de Mais do que Apenas Nostalgia Agora”. No vídeo, os dois analisam o movimento da empresa de revisitar clássicos dos anos 90 e questionam onde isso pode levar a companhia a longo prazo.
“Eles certamente têm mais nostalgia disponível do que praticamente qualquer outra empresa do mercado de games“, afirma Ellis. E isso, paradoxalmente, pode ser um problema. Segundo ele, a estratégia de relançar títulos consagrados, como o Star Fox 64 e o potencial remake de The Legend of Zelda: Ocarina of Time é praticamente infalível do ponto de vista financeiro: o público já existe, tem carteira e sente falta da infância. “O design do jogo já está pronto, e a gente sabe que o jogo é bom. Dá pra atualizar os gráficos”, resume Ellis.
A questão que Ellis e Yang levantam vai além das planilhas de vendas. Existe uma geração de fãs fiéis, ironicamente chamados de “Nintendo adultos” ou, de forma mais direta, “caras de 40 anos”, que apoia qualquer movimento da empresa de forma quase incondicional. O problema é que esse grupo pode estar, sem querer, bloqueando a entrada de novos fãs mais jovens no ecossistema. “Você criou isso para cultivar a próxima geração de fãs“, diz Ellis, se dirigindo à Nintendo, “e agora essas pessoas estão de certa forma impedindo que isso aconteça.”
A tentativa da empresa de atrair crianças com produtos como blocos de madeira da Princesa Peach, por exemplo, acaba agradando mais aos pais dessas crianças do que ao público-alvo original. A Nintendo está, na prática, falando com a mesma geração que já tem, não com a próxima.
Yang lembra que a palavra “inovação” era quase um mantra interno durante a era do então presidente Satoru Iwata. A empresa que publicou Eternal Darkness: Sanity’s Requiem no GameCube, que estampava comerciais do Nintendo 64, parece distante da que hoje aposta em remakes seguros.
“Quando a gente trabalhava lá, havia muitos exemplos deles não apenas dizendo, mas mostrando: ‘A gente não quer ser uma empresa de nostalgia’. No minuto em que você começa a se apoiar na sua nostalgia, é meio que o fim, do ponto de vista de algo voltado para o futuro”, declara Ellis.
Para Yang, o que está em jogo é a identidade criativa da empresa. “Para uma empresa verdadeiramente criativa como a Nintendo, seria muito triste se eles enterrassem essa parte de si mesmos porque tinham medo de correr o risco.”
Fonte: GamesRadar
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