Dev revela que Starfield quase trocou a Creation Engine pela Unreal Engine 5

Bethesda sofreu forte pressão interna para migrar de engine, mas a comunidade de mods foi decisiva para manter a Creation Engine em Starfield.

O Creation Engine quase perdeu seu lugar em Starfield. Segundo Heather Cerlan, ex-artista do RPG da Bethesda e atualmente CEO e diretora criativa da NEARstudios, houve uma pressão interna considerável para migrar o desenvolvimento do jogo para a Unreal Engine 5 e o que impediu essa mudança foi, essencialmente, a comunidade de modders.

Cerlan revelou os bastidores dessa decisão em entrevista ao podcast Kiwi Talkz. “Havia muita pressão internamente para ir para o Unreal Engine 5, especialmente quando o Nanite, o Lumen e todos esses recursos incríveis estavam surgindo”, afirmou. “As pessoas perguntavam: ‘Por que não usamos simplesmente o Unreal?'”, ela relembra. O momento era delicado: o lançamento preliminar da Unreal Engine 5 aconteceu em maio de 2021, e Starfield ainda tinha dois anos pela frente até chegar ao público, o que, na teoria, abria uma janela para uma eventual transição de engine.

A virada da comunidade

No entanto, a Bethesda tinha anos de iterações acumuladas na Creation Engine, a engine proprietária do estúdio, utilizada desde Skyrim e que recebeu uma atualização significativa, chamada Creation Engine 2, especificamente para Starfield. E foi o peso da comunidade de mods que encerrou o debate de vez.

“O verdadeiro motivo pelo qual a Bethesda mantém o Creation Engine é por causa de todas as capacidades de modding“, revelou Cerlan. “Toda a comunidade de modding que foi construída em torno dessas ferramentas e desses sistemas… não faria muito sentido para a Bethesda migrar para qualquer outra engine, porque eles já construíram toda uma comunidade que sustenta o sucesso de seus títulos.”

O argumento é sólido quando se olha para o histórico do estúdio. Títulos como Oblivion, Skyrim, Fallout 3, Fallout 4 e Fallout: New Vegas continuam ativos e recebendo conteúdo novo graças a uma base de modders que domina as ferramentas do Creation Engine. Mudar de engine significaria, na prática, abandonar esse ecossistema construído ao longo de décadas.

Todd Howard e a influência do Unreal

Isso não significa, porém, que a Bethesda ignora por completo o que a concorrência oferece. Em conversa anterior com o GamesRadar+, o diretor Todd Howard admitiu que fluxos de trabalho da Unreal Engine têm sido estudados e absorvidos internamente. “Existem fluxos de trabalho, e à medida que contratamos novas pessoas, frequentemente observamos esses fluxos, como: ‘Como a Unreal Engine faz isso do ponto de vista do editor?'”, explicou. “Então estamos começando a tomar alguns fluxos de trabalho emprestados, mas fazendo isso à nossa maneira, para que possamos atender ao que nossos jogos precisam.”

Para o futuro, já foi confirmado que The Elder Scrolls 6 continuará usando a Creation Engine, embora em uma versão aprimorada. Apesar da troca para a Unreal Engine 5 nunca ter acontecido, o The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered acabou sendo desenvolvido na engine da Epic Games.

Fonte: GamesRadar+

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