007 First Light
A IO Interactive sabe que o James Bond de 007 First Light está dividindo opiniões e, segundo a própria desenvolvedora, isso é exatamente o que deveria acontecer. O estúdio dinamarquês, conhecido pela franquia Hitman, defendeu publicamente a interpretação do ator irlandês Patrick Gibson no papel do espião britânico, classificando a arrogância e o ar de superioridade do personagem como escolhas deliberadas e narrativamente justificadas.
O Bond de First Light é mais jovem, inexperiente e visivelmente convicto de suas próprias capacidades, um retrato que incomoda parte do público desde a divulgação dos primeiros materiais de marketing. O sorriso torto e presunçoso de Gibson, repetido nas peças promocionais do jogo, foi questionado por fãs que esperavam a frieza clássica da franquia. Para a IO Interactive, porém, esse desconforto faz parte do plano.
Tom Marcham, designer sênior de combate do jogo, falou sobre o assunto durante visita ao escritório da IO Interactive em Brighton. “Pessoas tendo opiniões diferentes sobre um James Bond: isso é ótimo”, disse ele. “Todo mundo tem seu Bond favorito. Se fizéssemos um Bond sobre o qual ninguém tivesse opinião, seria o Bond mais entediante já criado. Então o fato de termos gerado uma pequena controvérsia, acho que é algo positivo.”
Marcham foi além e comparou o fenômeno ao que acontece no mundo real a cada nova escolha de ator para o papel cinematográfico. “Toda vez que um novo James Bond é escalado, o assunto é discutido em cada canto da Grã-Bretanha. Então que isso aconteça com a gente também, que as pessoas debatam. Estou curioso para ver… Uma das coisas que realmente gosto na performance do Paddy é o quanto ele vai crescendo em você ao longo do jogo. Vai ser interessante ver o que as pessoas vão pensar quando realmente jogarem até o final.”
Martin Emborg, diretor de narrativa e cinematografia do game, foi ainda mais direto ao explicar a construção do personagem. Segundo ele, há uma confiança, uma “confiança não merecida”, visível de propósito na postura de Bond. “Ele é do tipo ‘sim, consigo fazer o que quiser’, então é um jovem imprudente”, disse Emborg. “Esse cara não viu a morte da forma como um Bond mais velho viu. Quando você é jovem, se sente imortal […] e ele vai definitivamente aprender que não é.”
Emborg reconhece que a maioria das definições populares de Bond vem de versões mais antigas do personagem, “alguém cujo pulso nunca passa de certo nível, mesmo que esteja sendo baleado”. Mas defende que First Light oferece um ângulo diferente: “Este é outro take. É um jovem que ainda não é nada disso, então talvez haja um pouco mais em jogo para esse cara do que para o Bond veterano.”
Ainda assim, o diretor foi enfático ao rebater quem subestima a força do personagem: “Temos um personagem forte, e vou dizer: ele é tão forte quanto esses outros Bonds”. Para Emborg, o formato de origin story facilita a entrada do público. “Estamos começando com ele, e esse é um ótimo ponto de entrada para o público. Mas ele tem personalidade própria. Não é uma pessoa sem graça. Ele tem impulsos fortes, opiniões e maneiras de fazer as coisas.”
Tom Marcham acrescentou outra camada ao perfil desse Bond: a raiva. “Esse personagem tem raiva dentro dele”, afirmou. “É um take interessante. Ele é órfão […] e há uma atitude de que talvez ele não tenha tido o melhor crescimento. Talvez tenha estado em brigas difíceis antes e saiba se virar, e tem uma raiva interior que aparece de vez em quando.”
Marcham também elogiou a performance do ator: “Acho que o Patrick Gibson fez um trabalho incrível, e ele definitivamente é alguém com tanto carisma que quanto mais tempo você passa com ele, mais você gosta dele.” Martin Emborg foi na mesma direção, destacando o caráter “maior que a vida” de Gibson, sua energia “inquieta e divertida” e sua capacidade de “travar e levar a sério” quando a cena exige. “Essa dinâmica dentro dele o torna, na minha mente, um ator perfeito”, disse o diretor.
Emborg também citou o contexto do mercado como um fator favorável: com nenhum Bond cinematográfico em serviço ativo no momento, há um vácuo natural que o jogo pode preencher, e uma separação igualmente natural de qualquer do personagem nas telas, o que dá à IO Interactive mais liberdade criativa. “Adoraria ouvir alguém dizer ‘Patrick Gibson é o meu Bond'” , concluiu Emborg. “E acho que algumas pessoas vão dizer isso depois de passarem pela história que estamos contando.”
Outro ponto reforçado pela desenvolvedora é que 007 First Light não deve ser encarado como um sucessor espiritual da franquia Hitman. Jornalistas que tiveram acesso antecipado ao jogo descreveram a experiência como mais próxima de um action-adventure no estilo Uncharted do que do stealth estratégico pelo qual a IO Interactive é conhecida. A própria equipe abraça essa percepção.
007 First Light chega em 27 de maio para PC, PS5 e Xbox Series S|X.
Fonte: Eurogamer
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