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Nem veteranos escapam: compositor de Deus Ex enfrenta dificuldade para conseguir trabalho em meio a demissões

Se você já jogou clássicos de PC, provavelmente já ouviu o trabalho de Alexander Brandon, mesmo que não reconheça o nome. Conhecido principalmente pela trilha icônica de Deus Ex, ele tem mais de 30 anos de carreira ajudando a moldar o áudio de jogos como Unreal, Wasteland 3 e Neverwinter Nights 2. Mas em 2026, nem um currículo desse peso está garantindo segurança no mercado.

Em uma entrevista recente, Brandon revelou a realidade dura da indústria hoje: depois de enviar currículo para 50 empregos diferentes ao longo do último ano, conseguiu apenas uma entrevista. O caso dele reflete um cenário maior, em que até profissionais muito experientes estão tendo dificuldade para encontrar vagas estáveis.

Para Brandon, o problema não é só demissão, é a mudança no próprio modelo de trabalho. Vagas fixas, especialmente as bem pagas, estão ficando mais raras e muito mais concorridas. Hoje, muitos desenvolvedores se perguntam se vale a pena correr atrás de estabilidade, já que estúdios podem reestruturar ou cortar equipes a qualquer momento.

Com isso, o trabalho por contrato virou uma alternativa cada vez mais comum, até para quem já ocupou cargos de liderança.

IA: ferramenta ou ameaça?

Ao mesmo tempo, Brandon também está lidando com outra grande mudança: o avanço da inteligência artificial no desenvolvimento de jogos. Durante a GDC deste ano, ele coapresentou uma mesa redonda sobre o uso de IA na produção de áudio. Ele também faz parte de um grupo que estuda o impacto da tecnologia, iniciativa que surgiu depois que ele perdeu um trabalho justamente para ferramentas de IA.

Mesmo assim, Brandon não é totalmente contra. Ele defende uma abordagem mais equilibrada, analisando tanto os ganhos de produtividade quanto as questões éticas, especialmente sobre de onde vêm os dados usados para treinar essas ferramentas. Ele reconhece o medo de muitos desenvolvedores, mas acredita que simplesmente rejeitar a IA não é o melhor caminho.

Apesar das preocupações, Brandon encontrou alguns usos práticos para a IA no dia a dia. Ferramentas que ajudam com documentação ou agilizam a integração entre middleware de áudio e engines como a Unreal Engine têm economizado tempo, permitindo focar mais na parte criativa. Ainda assim, ele critica o hype exagerado vindo de líderes de tecnologia.

Segundo Brandon, existe uma narrativa irreal de que a automação vai eliminar empregos e criar uma espécie de “utopia sem esforço”. Para quem está desempregado hoje, esse discurso simplesmente não cola. O que ele defende é uma discussão mais pé no chão, que leve em conta tanto as limitações da IA quanto a pressão econômica real que os profissionais estão enfrentando.

Fonte: PCGamer

 

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Publicado por:
Vinicius Silva Dias

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