Xbox considera novo plano do Game Pass com apenas jogos first-party

Ao mesmo tempo, a empresa está debatendo se mantém os novos jogos de Call of Duty no serviço Game Pass

A chegada de Asha Sharma ao comando do Xbox já começa a provocar impactos concretos dentro da Microsoft. Após prometer um retorno do Xbox, a executiva vem passando por um período intenso de adaptação, conversando com equipes internas, estúdios e parceiros, mas também acelerando decisões importantes sobre o futuro da plataforma.

Um dos primeiros focos é o Game Pass. Internamente, Sharma reconheceu que o serviço ficou caro para parte dos jogadores e indicou que mudanças estão a caminho. A ideia é tornar o modelo mais flexível, com diferentes opções de assinatura que se adaptem melhor a públicos e mercados distintos.

Entre as possibilidades em análise, está a criação de um plano que inclua apenas jogos produzidos pelos estúdios da própria Microsoft. Além disso, a empresa também avalia expandir parcerias e oferecer pacotes com serviços de terceiros, algo que já teria sido discutido até com a Netflix.

Xbox Game Pass

“Entendo que uma das opções em consideração é um plano de assinatura do Game Pass que inclua apenas jogos dos estúdios Xbox da Microsoft. Isso se enquadraria no sistema mais flexível que Sharma sugere. Pacotes também poderiam ajudar nesse sentido. Em fevereiro, relatei que a Microsoft está estudando maneiras de incluir serviços de terceiros em pacotes de assinatura do Game Pass. O co-CEO da Netflix, Greg Peters, disse ao The Information no mês passado que ele e Sharma haviam discutido ideias para uma parceria em pacotes de assinatura”, afirma Tom Warren.

Outro ponto sensível envolve Call of Duty, com títulos presentes no Game Pass, incluindo lançamentos day-one, gerando certos debates internos. Uma das alternativas consideradas seria não incluir futuros títulos no catálogo. Ainda assim, a Microsoft dificilmente removeria jogos já disponíveis para assinantes.

call of duty game pass

“Rumores sugerem que a Microsoft poderia remover Call of Duty do Game Pass para ajudar a reduzir os custos de assinatura, mas é improvável que a empresa remova jogos já existentes dos assinantes. Uma opção em potencial que a Microsoft está considerando é não adicionar futuros títulos de Call of Duty ao Game Pass. O debate sobre Call of Duty no Game Pass tem sido intenso internamente no Xbox há anos, então Sharma enfrentará uma decisão difícil que poderá expor alguns dos principais problemas da estratégia anterior da Microsoft para o Xbox”, observa Tom Warren.

Fora do Game Pass, Sharma também começou a ajustar a identidade da marca. A campanha “This is an Xbox”, lançada recentemente, foi rapidamente descartada após repercussão negativa tanto dentro da empresa quanto entre fãs. A executiva agora lidera um reposicionamento mais alinhado com o que o público espera da marca.

“Asha aposentou ‘This is an Xbox’ porque não parecia Xbox”, disse um porta-voz da Microsoft, que preferiu não se identificar, em um comunicado ao Windows Central. “Ela está liderando pessoalmente uma reformulação de como nos apresentamos como marca.”

No lado técnico, o foco voltou com força para o console. Equipes de engenharia receberam sinal verde para implementar melhorias aguardadas há anos, como mudanças na interface e maior personalização do sistema. Recursos como ajustes no Quick Resume por jogo específico ajudaram a recuperar parte do entusiasmo da comunidade, e também da própria equipe interna.

Ao mesmo tempo, Sharma já olha para o futuro. O próximo console da Microsoft, conhecido como Project Helix, deve vir acompanhado de investimentos mais profundos na base tecnológica do Xbox. A executiva apontou problemas estruturais atuais, como a fragmentação de sistemas e a falta de integração entre diferentes áreas da plataforma.

“É evidente que nossas ambições exigem um investimento maior nas bases da plataforma Xbox do que fizemos até agora. Atualmente, operamos em dezenas de interfaces, fluxos de trabalho e modelos de lançamento sem um repositório de código compartilhado ou uma base de dados comum. Como resultado, a qualidade e a velocidade muitas vezes dependem de ações isoladas em vez de sistemas eficientes.”

“Também carecemos de uma infraestrutura consistente para experimentação, atribuição e aprendizado, o que dificulta saber o que está funcionando e melhorar rapidamente. No que diz respeito ao produto, nossa interface é um conjunto de experiências construídas em momentos diferentes, onde a descoberta, a relevância e a interação social não são prioridades, e os jogadores precisam se esforçar para descobrir o que fazer em seguida ou com quem jogar” – Asha Sharma.

A proposta é unificar melhor a experiência entre console, PC e nuvem, criando um ecossistema mais coeso e eficiente. Isso inclui melhorias na descoberta de jogos, recursos sociais e na navegação geral, pontos que ainda são considerados frágeis hoje.

Por fim, Sharma também reforçou a importância de responsabilidade interna. Um problema recente com controles enviados sem bateria foi citado como exemplo de resposta rápida da empresa, que corrigiu a falha e compensou consumidores em poucos dias.

Fonte: The Verge

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