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GOG admite que remover Devotion abalou a confiança dos jogadores e afetou sua credibilidade

A GOG reconheceu publicamente que sua decisão de remover Devotion da plataforma há cinco anos atrás prejudicou seriamente a confiança dos usuários. O aclamado jogo de terror taiwanês, desenvolvido pela Red Candle Games, foi abruptamente retirado de todas as lojas digitais em 2019 após uma polêmica envolvendo referências consideradas ofensivas ao presidente chinês.

Maciej Gołębiewski, diretor administrativo da GOG, abordou o assunto após críticas a um comentário feito em entrevista recente onde afirmou que “como empresa, estamos sempre prontos para defender os valores corretos” ao falar sobre a decisão de vender o polêmico jogo Horses, rejeitado por outras plataformas como Steam e Epic.

Sobre o incidente de Devotion, Gołębiewski explicou: “Tomamos aquela decisão no contexto de restrições comerciais muito reais, um entendimento limitado dos complexos fatores geopolíticos envolvidos e falta de boas opções que pudessem proteger a GOG e os parceiros, permitindo ao mesmo tempo que o jogo fosse lançado de forma responsável“.

O executivo reconheceu que a decisão e, principalmente, a forma como foi comunicada, danificou a confiança dos usuários na plataforma. “Manter uma loja digital global funcionando significa navegar por realidades legais, operacionais e comerciais que nem sempre permitem resultados ideais“, acrescentou.

Ainda assim, o CEO afirma que não significa que não irão cometer erros: “Quando digo que estamos prontos para nos posicionar em defesa dos valores certos, não quero dizer que não cometeremos erros, ou que todas as decisões serão fáceis, ou que nunca enfrentaremos dilemas. Quero dizer, sim, que a cada oportunidade estamos nos esforçando para ser mais claros, mais consistentes e mais dispostos a sustentar nossas escolhas — inclusive explicando-as de forma aberta quando elas são questionadas.”

Devotion foi originalmente lançado no início de 2019, mas rapidamente removido após a descoberta de referências negativas ao presidente Xi Jinping. A controvérsia gerou graves consequências na China, incluindo o fechamento da conta da Red Candle na rede social Weibo.

Apesar da Red Candle ter afirmado que o conteúdo ofensivo era apenas um placeholder e ter se desculpado extensivamente pelo ocorrido, o dano estava feito. Em 2020, a GOG anunciou que venderia Devotion em sua loja, mas voltou atrás no mesmo dia, explicando em um tweet: “Após receber muitas mensagens de jogadores, decidimos não listar o jogo em nossa loja”.

A situação com Devotion contrasta com o caso recente do jogo Horses. Segundo Gołębiewski, vários funcionários da GOG jogaram Horses e concordaram que ele não apresentava “nenhum risco legal, político ou operacional” para o negócio ou parceiros da empresa.

Esta abertura para discutir o assunto reflete uma nova fase da GOG, que recentemente se separou da CD Projekt, sua empresa-mãe desde o início. Agora como empresa independente, a GOG responde apenas ao novo proprietário Michal Kiciński, coincidentemente um dos fundadores originais da CD Projekt e da própria GOG.

Sob esta nova administração, a empresa busca maior autonomia e está até mesmo considerando expandir para a publicação de jogos indie, sinalizando o início de uma nova era para a plataforma digital.

Fonte: Eurogamer

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Publicado por:
Vinicius Silva Dias
Tags: GOGPC

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