Análise | Eiyuden Chronicle: Hundred Heroes

Análise | Eiyuden Chronicle: Hundred Heroes

Um RPG feito para os fãs de Suikoden.
#Análises Publicado por Vinicius, em

Contando com a mente por trás da franquia Suikoden, a expectativa era alta para Eiyuden Chronicle: Hundred Heroes, o qual prometia resgatar o mesmo estilo de jogo que os fãs tanto gostavam.

Embora o primeiro jogo tenha tido um escopo menor, com uma proposta bem diferente, Hundred Heroes já chegou trazendo o prometido. No entanto, será que a espera valeu a pena?

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Eiyuden Chronicle: Hundred Heroes é o jogo que prometeu, um JRPG que resgata aquele sentimento nostálgico de algumas gerações atrás. Para os fãs de Suikoden é um prato cheio, contando com mais de 100 personagens únicos para recrutar.

A história acompanha o jovem Nowa, um mercenário que acaba se vendo no meio de uma guerra e precisa comandar um enorme exército para impedir as ambições malignas do Império. O jogo aposta em uma história de grande escopo, com os personagens possuindo seus problemas pessoais, mas o foco sendo o grande esquema.

A narrativa mostra diversos pontos de vistas diferentes e leva os jogadores por uma extensa viagem pelo reino, conhecendo vários locais e personagens. O jogo não apresenta a mais complexa das histórias, mas faz um trabalho competente, trazendo momentos inteligentes e boas reviravoltas, coisas que os fãs de Suikoden certamente esperavam.

Com o jogo contando com mais de 100 personagens recrutáveis, é louvável o trabalho do estúdio em dar personalidade para cada um deles. Todos possuem um certo nível de profundidade e ainda contam com atuação.

Apesar de nem todos terem um grande impacto sobre a narrativa, o estúdio soube dosar a participação, com os membros da sua equipe sempre fazendo comentários e conversando durante as exploração, o que permite que não se tornem apenas um personagem de fundo após serem recrutados.

O combate do jogo é realizado em turnos, puxando muito do que vimos anteriormente em Suikoden. Durante as batalhas você pode ter seis membros em seu grupo, mais um sétimo extra para conferir bônus.

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Os membros são alinhados em duas fileiras, a da frente para os focados em ataques diretos e a de trás para aqueles que usam ataques à distância. Os inimigos também são separados em duas fileiras, o que significa que é preciso usar estratégia em decidir quem atacar primeiro.

O posicionamento da equipe é de grande importância nas batalhas. Personagens com menos defesa costumam funcionar melhor na fileira de trás, já que podem ser protegidos pelos aliados mais fortes. Enquanto isso, ataques e skills mais de contato direto possuem alcance limitado, o que significa que tais personagens se encaixam melhor na área frontal.

Ao invés de cada um ter seu turno, o combate é realizado de forma que você escolhe o movimento de todos os personagens e só depois o grupo ataca em ordem. Isso significa que imprevistos podem sempre acontecer, o que dá um dinamismo maior para as batalhas.

Cada personagem ainda possui um certo nível de customização, podendo utilizar runas para adicionar habilidades, ataques ou melhorar status. Há uma variedade de habilidades únicas para usar e ainda ataques em grupo, onde mais de um personagem se une para soltar ataques mais fortes.

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O jogo ainda traz um competente sistema de personalização de IA para que você possa alterar o comportamento dos personagens ao ativar as batalhas automáticas. Isso torna o processo de explorar certas áreas mais tranquilo e rápido, podendo adaptar a IA para cada tipo de inimigo.

Com um elenco gigantesco de personagens, do qual você dificilmente conseguirá usar todos, o jogo ainda traz certas mecânicas para facilitar sua vida. Aliados que estão há muito tempo sem ser usados e em um nível mais baixo que o resto da equipe, ganham XP muito mais rápido, permitindo que alcancem sua party principal sem exigir horas de grind.

O combate é funcional e bastante estratégico, conseguindo se destacar entre outros JRPG com batalhas em turno. O jogo ainda traz alguns elementos únicos para tornar suas batalhas contra chefes mais memoráveis.

Os chefes costumam trazer mecânicas não presentes durante outros momentos do jogo. Um exemplo é a primeira batalha contra um Golem, o qual pode usar poderosos ataques de raio. Durante o combate, há pedras espalhadas pelo cenário, as quais os jogadores podem usar como cobertura contra tais ataques.

Há várias outras no mesmo estilo, como derrotar inimigos segurando um chefe para derrubar ele ou até um jogo de azar. Essas mecânicas conseguem tornar os combates contra chefes muito mais especiais, já que se distinguem das batalhas normais.

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Além das batalhas em turnos, há ainda dois outros estilos de combate. Os duelos são combates 1vs1 que funcionam através de escolhas baseadas no diálogo dos dois personagens. É preciso prestar atenção no que está sendo dito e escolher corretamente se irá defender ou atacar.

É um sistema um pouco confuso de início, o que poderia ter sido evitado se tivessem implementado a mecânica mais similar a pedra, papel e tesoura de Suikoden, mas ainda assim traz algumas belas cenas cinematográficas.

O terceiro modo de batalha são as guerras de exército em grande escala. Sem dúvida uma das mecânicas que os fãs de Suikoden mais estavam empolgados em ver o retorno, mas que também acabou sendo uma das maiores decepções desse novo jogo.

As batalhas de exército são extremamente simples, ao ponto de não terem praticamente nenhuma profundidade. Você move as peças dos seus personagens pelo mapa em um sistema de casas, similar a títulos de estratégia como Fire Emblem, e pode alternar as unidades em campo, embora não tenha nenhum incentivo para isso.

Você praticamente mais assiste a guerra se desenrolar do que realmente participa. A premissa do modo é simplesmente juntar até 3 unidades em uma única casa e atacar o inimigo. Faltou uma camada mais estratégica que era esperada para esse modo.

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O jogo conta com uma quantidade bastante robusta de conteúdo para se aproveitar. Quando não se está acompanhando a história ou batalhando, um dos destaques é a criação de base. Esse modo traz um nível satisfatório de personalização, permitindo que você escolha os edifícios que irá construir e melhorar para liberar novas funções. Além disso, há muito o que fazer aqui, como encontrar segredos e até mesmo participar dos mais variados mini-games.

Entrando na parte técnica, a equipe fez um trabalho primoroso. A bela arte 2D dos personagens combinada com cenários 3D e uma iluminação robusta, tornam o jogo extremamente prazeroso de se ver.

A inspiração em Suikoden e outras franquias clássicas é nítida, o que significa que há muitas mecânicas daquela época. Embora não seja realmente um problema, certos aspectos podem ser considerados 'datados' para alguns jogadores. O jogo conta com batalhas em turno, e apesar de não terem uma frequência tão elevada, ainda depende da disposição do jogador.

Um jogo com tanto texto e ainda de uma empresa indie, é louvável que tenha vindo localizado em nosso idioma. Apesar disso, existem alguns deslizes na tradução, a qual nem sempre faz sentido, contando com expressões traduzidas de forma errada ou trocando o gênero dos personagens entre uma frase e outra. Os problemas parecem mais por falta de contexto da equipe que traduziu.

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Vale a pena?

Eiyuden Chronicle: Hundred Heroes é um JRPG competente, trazendo um combate estratégico em turnos, um divertido sistema de criação de base, visuais extremamente agradáveis e uma enorme lista de personagens recrutáveis, todos únicos.

Infelizmente algumas mecânicas não funcionam tão bem, como os inicialmente confusos duelos e as superficiais batalhas de exército. Ainda assim, o jogo traz um pacote que todo fã de JRPG deveria dar uma chance.

8.6
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Nota
O mais próximo que os fãs chegarão de ter um novo Suikoden, Eiyuden Chronicle é um JRPG robusto e cheio de conteúdo.
Prós
  1. Enorme elenco de personagens variados e únicos
  2. Sistema de criação de base robusto e divertido
  3. Muito conteúdo para aproveitar, incluindo mini-games
  4. Combate em turno com um bom nível de estratégia
  5. Belos visuais que misturam arte 2D com 3D
Contras
  1. Batalhas de exército carece de profundidade
  2. Certos problemas na localização em português
Vinicius
Vinicius #VSDias55
Equipe do Site, Florianópolis
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