Nexomon Extinction é um jogo bem semelhante ao Pokémon que jogávamos na época do Game Boy Advance, onde conseguimos domar alguns monstros para lutarem batalhas pelo personagem e assim avançar na história. Ele copia sim diversos elementos de Pokémon e de outros jogos que se assemelham, mas ele também possui suas individualidades e que o fazem tão divertido de jogar, além de trazer um visual bem atraente para os que gostam do estilo.
Começando pela história, ela é de certa forma bem contada, mesmo não sendo tão complexa. Nesse jogo, o personagem principal que mora em um orfanato inicia sua aventura como treinador de Nexomons logo jovem, mas sem aquele objetivo central de se tornar o líder de ginásios e campeão da Liga. Ao contrário disso, a história gira em torno de um mundo onde monstros e humanos coexistem mas são inimigos, e o personagem principal tenta em cada etapa do jogo descobrir os mistérios por trás do mundo Nexomon ao mesmo tempo que impede catástrofes que tanto humanos quanto monstros estão criando. É bem legal como a história de desenrola porque todas as informações são dadas no momento certo para gerar interesse em saber mais sobre ela, além de que tudo que é mostrado tem uma explicação histórica ou um motivo por trás de cada personagem.
Um ponto que considerei muito forte para a história e que me segurou bastante no jogo foi o personagem secundário que acompanha o jogador durante toda a viajem. Ele é como se fosse um mascote (apesar de também viver no orfanato) que o acompanha nas jornadas, porém ele não te ajuda em lutas e nem em outras situações. A função dele se resume basicamente em ajudar na progressão da história, na qual ele é bem participativo e acaba compensando o personagem principal que, assim como em vários outros jogos, é mudo. Coco (mascote) não apenas auxilia o personagem principal nas conversas com outros NPC’s, mas também é um personagem bem divertido e que reage a diversos clichês de RPG’s e vários outros jogos que possuem situações sem sentido e que acabamos aceitando sem perceber. Coco em alguns momentos chega a contestar decisões do personagem principal, NPC’s e até os próprios desenvolvedores do jogo, o que acaba sendo uma forma bem legal de se acompanhar uma história que não é tão inovadora (apesar de ser criativa).
Além de Coco, os outros personagens também são muito carismáticos e cada um possui sua personalidade muito bem definida. Os diálogos e a própria imagem dos personagens ajudam muito a definir bem cada indivíduo e também a entender o quê esperar de cada um deles. Apesar de serem muito bem feitos, os personagens no plano de fundo (os que não fazem parte da história) estão lá apenas para popular o mapa ou entregarem missões, basicamente não contendo diálogos. Outras partes negativas e que afetam a imersão são a falta de dublagem dos personagens em qualquer língua e a trilha sonora que pausa em alguns diálogos. A dublagem em jogos já é algo bem comum, então o jogo não apenas se prejudica com a falta desse elemento mas também, em alguns diálogos, a música chegar a parar de tocar, ficando apenas o silêncio e as letras da legenda.
Na parte de jogabilidade ele se assemelha muito a Pokémon, trazendo combate entre monstros no modelo de turnos e que, dependendo da sua característica, um monstro tem vantagem sob o outro. Nesse quesito do combate ele acaba sendo um pouco simples demais se comparado com Pokémon e suas cópias, pois os nexomons podem possuir 1 dentre apenas 9 elementos, deixando muito fácil de decorar forças e fraquezas e montar o time ideal. O que deixou essa parte um pouco mais dinâmica e divertida são as pedras que mudam os atributos e dão vantagens para os nexomons, seja compartilhando XP, aumentando vida, aumentando dano etc, permitindo que o jogador reduza a fraqueza específica de algum nexomon ou faça ele ganhar muita experiência/ouro.
E aproveitando que mencionei sobre o time, cada nexomon também possui sua raridade e que influencia diretamente em seus atributos e habilidades recebidas. Nexomons ultra raros por exemplo recebem uma habilidade específica de seu elemento em determinado nível, ao contrário de nexomons de raridades abaixo. Apesar de ser bem legal a definição de raridade entre nexomons, o jogo parece não representar corretamente o quão difícil deveria ser encontrar um monstro do nível ultra/mega raro, sendo as vezes mais difícil encontrar algum de raridade comum. Não sei se foi muita sorte, mas realmente pareceu bem fácil de conseguir um time ultra raro até metade (ou antes) do jogo. No início do jogo também é permitido escolher 1 dentre 9 nexomons ultra raros de cada elemento, mas os outros que o jogador não escolheu podem ser encontrados durante o jogo.
Existe um pequeno problema nas habilidades dos nexomons, mas não chega a quebrar o jogo. Quando um nexomon sobe de nível ele pode ou não ganhar alguma habilidade nova, mas acabei encontrando 2 vezes habilidades repetidas para um mesmo monstro. Não existe a necessidade de repetir habilidades porque existe um NPC que pode recuperá-las caso o jogador tenha substituído uma específica para colocar outra, então seria mais uma falta de atenção dos criadores mesmo.
Agora comentando sobre como capturar os monstros para fazer parte do time, ele é um pouco diferente pois mostra a porcentagem de sucesso atual para a captura. Dependendo da condição do nexomon, tipo da nexotrap e se usou algum alimento, a porcentagem mostrada para obter sucesso pode subir ou descer. Foi uma forma bem mais interessante de entender as chances de capturar um nexomon, principalmente quando é algum que o jogador queira garantir a captura. Por outro lado, um sistema interessante e que senti falta no jogo foi da possibilidade do monstro fugir caso o jogador não conseguisse capturar a tempo, pois isso seria mais uma motivação para executar comandos precisos para obter sucesso.
No jogo também existem missões secundárias bem genéricas, daquelas que você faz uma tarefa qualquer e cobra sua recompensa com o NPC após a conclusão. Porém, muitas dessas missões nos motivam a cumpri-las justamente por causa das recompensas que ajudam bastante a realizar outras atividades dentro do jogo, seja oferecendo dinheiro (dinheiro é bem escasso), itens que dão vantagens e outros itens que liberam alguns segredos. No fim, mesmo sendo bem genéricos, elas não são complicadas/demoradas e as recompensas são bem úteis.
Na questão da dificuldade o jogo é até bem equilibrado, mas em alguns momentos não terá como continuar a história sem um pouco de grind (subir o nível dos nexomons e conseguir ouro). Porém o jogo consegue equilibrar isso com as pedras que foram mencionadas anteriormente, não exigindo tanto tempo de grind para se equiparar ao nível dos nexomons da história principal.
Nexomon: Extinction também possui um pós jogo com algumas atividades extras e que incentivam a exploração do mapa para concluí-las. Porém não apenas nessa etapa, mas durante toda a jornada do personagem o jogo mostra recompensas que podem ser obtidas ao explorar um pouco cada cenário. Essa exploração funciona semelhante ao gênero metroidvania, onde o jogador tem acesso a algumas áreas e outras ele precisa de uma habilidade específica para conseguir acesso. E assim como as missões secundárias, a exploração as vezes recompensa o jogador com itens específicos e que podem ajudar na jornada ou liberar acesso a segredos do jogo.
Os visuais também são um grande atrativo nesse tipo de jogo, pois de certa forma o jogador acaba escolhendo quem participará do time e também irá colecionar diversos outros nexomons. Nesse quesito o jogo é muito competente em entregar uma arte muito bonita e detalhada, ao mesmo tempo que tenta relembrar jogos mais antigos com seu design atualizado para o combate, exploração e diálogos. O design dos nexomons também são muito bem feitos e suas evoluções não ficam atrás no quesito qualidade, sendo uma boa surpresa cada vez que a tela de evolução aparece.
Na parte sonora o jogo é bem competente. Apesar de não possuir músicas extraordinárias e memoráveis como em outros jogos, ele contém músicas que são boas para os momentos e locais apresentados. Além disso os sons de reações dos personagens e interação com o mundo são bem caricatos e muitas vezes relembram jogos mais antigos.
Nexomon: Extinction possui vários problemas, mas ele consegue ser muito competente em trazer diversão para quem busca um jogo semelhante aos antigos Pokémons e com um visual bem mais atual e atrativo. Acredito que esse jogo seja uma das melhores opções para quem busca um jogo do gênero, até porque ele está disponível em todas as plataformas possíveis.
Plataformas disponíveis: PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X|S, Nintendo Switch, PC e Android.
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