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Microsoft Store vai apagar neste mês todos os e-books que você comprou

A experiência da Microsoft Store com e-books durou apenas 23 meses: em abril, a Microsoft informou a seus usuários que estava fechando a lojinha de livros e que cancelaria todas as pré-vendas, mas não era o pior. A partir deste mês, a companhia vai apagar todas as publicações compradas por seus usuários, que perderão o acesso a seus livros de modo irreversível.

b]Sim, a Microsoft entrou em modo Full Fahrenheit 451.[/b]

A Microsoft Store começou a oferecer livros ao público em maio de 2017, mas ela nunca conseguiu fazer nem cócegas em concorrentes como Amazon, Apple e Google. Os motivos são vários, indo desde diversos problemas técnicos à boa e velha mania de Redmond de chegar atrasada à festa, e tentar entrar em mercados já estabelecidos e com players muito bem definidos, o que inibe a expansão de um novo concorrente. Foi o aconteceu com o Windows Phone.

No caso dos livros vendidos pela Microsoft Store, eles nunca tiveram acesso a um leitor de e-books dedicado e não eram compatíveis com aplicativos de terceiros, o que obrigava o usuário a depender do Microsoft Edge para lê-los, o que limitava as plataformas de uso ao Windows 10 e Windows 10 Mobile. E obviamente, os DRMs inclusos permitem a deleção remota das publicações das contas e aparelhos dos usuários.

Tal prática não é uma novidade, entretanto. O Google Play Livros já foi pego deletando livros de contas de usuários que viajam para outro país, e o iTunes também já andou removendo filmes comprados por usuários que mudaram de região. A diferença é que em ambos os casos as compras não foram canceladas, e o usuário só precisava reverter as alterações (ou no caso do Google, voltar para casa) que ele recuperaria tudo.

Só que a Microsoft decidiu que não seria tão boazinha assim. A partir de julho, todos os livros adquiridos pelos usuários serão apagados e o acesso a eles revogado. A Microsoft informa que irá reembolsar todas as compras de livros tão logo o processo de deleção seja encerrado, e aqueles que fizeram anotações em livros até o dia 02/04/2019 receberão um crédito extra de US$ 25.

Livros gratuitos distribuídos pela Microsoft Store em promoções, ou de domínio público também serão deletados. Enfim, horas de histórias, registros, aventuras, discursos e etc., todos esses momentos serão perdidos no tempo, como lágrimas na chuva.

Microsoft Store / e-books

O fim da oferta de livros da Microsoft Store e a total remoção dos exemplares vendidos das contas de seus usuários lembra mais uma vez do lado feio da distribuição digital, onde você compra o direito de usar uma mídia mas não a mídia em si. Preocupações semelhantes estão sendo levantadas em torno do Google Stadia, o serviço de streaming de jogos do Google que não vai praticar preços menores que os a concorrência.

De qualquer forma, os boatos sobre a morte dos livros físicos em detrimento dos digitais foram um tanto quanto exagerados, tanto pela nossa ligação emocional com os mesmos, quanto por presepadas como a da Microsoft que mina cada vez mais a confiança em plataformas que podem estar muito bem hoje, mas amanhã decidem que você não tem mais direito às mídias que adquiriu, independente de ser reembolsado ou não.

A Microsoft não divulgou uma projeção de qual será o impacto financeiro na empresa ao devolver toda a grana que os usuários gastaram com livros na sua loja digital, mas convenhamos, não deve ser um valor tão alto considerando tal decisão para lá de antipática.

Com informações: Microsoft.

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GameVicio
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