A Mozilla, fundação sem fins lucrativos responsável pelo desenvolvimento do navegador Firefox, anunciou que as versões de testes do navegador agora incluem uma função para bloquear códigos de rastreamento na web e outros componentes que são executados nos “bastidores” do site sem beneficiar a navegação, como é o caso dos serviços que mineram criptomoedas na web. Os bloqueios devem chegar à versão uso geral do navegador em partes: primeiro em outubro de 2018 e depois em janeiro de 2019.
Diversas justificativas foram apresentadas para a adoção das medidas:
Também serão bloqueados métodos alternativos que identificam um usuário mesmo quando ele realiza bloqueio de cookies e outros recursos do gênero. Anunciantes agressivos usam esses métodos para desrespeitar a decisão do usuário de não ser rastreado na web. Em 2016, a Mozilla removeu a possibilidade de sites receberem informações sobre a bateria de notebooks porque o recurso, que foi idealizado para que sites otimizassem seu consumo de energia, podia identificar o internauta.
O Firefox é usado em 10,97% dos acessos em computadores, segundo a Statcounter. No Brasil, o navegador é usado por 6,77% dos internautas. Contabilizando os acessos em celulares, a participação do Firefox no Brasil cai ainda mais: 4,94%. O navegador chegou a ter 20% do mercado em 2008, quando o Chrome, o navegador mais usado atualmente, foi lançado.
Navegador ‘decide’ pelo internauta?
Os navegadores já incluem uma opção chamada “não rastrear” que “informa” aos sites o desejo do internauta de não ser rastreado. Esse recurso não é acompanhado de nenhuma medida técnica por parte do navegador, o que permite ao site simplesmente ignorar o pedido e prosseguir com o rastreamento. Esse recurso vem desativado nos navegadores.
Anunciantes argumentaram que os internautas devem realizar uma ação consciente de ativar o “não rastrear” para que o bloqueio possa ter validade e ameaçaram não honrar o recurso se ele viesse ativado na instalação, o que levou os navegadores a manterem o recurso desativado.
A atitude da Mozilla reverte essa postura e tem potencial para criar um diferencial do navegador com relação ao Chrome, que é desenvolvido pelo Google. O Google teve 85% de sua receita com publicidade no primeiro trimestre de 2018. A rede de publicidade do Google, por estar presente em muitos sites, consegue coletar dados extensos sobre os hábitos de navegação de cada internauta usando o tipo de rastreamento que o Firefox pode acabar bloqueando.
Mesmo que o Google não seja bloqueado de forma direta pelo Firefox — algo que só poderá ser confirmado quando o recurso for finalizado –, certos anúncios veiculados pelo Google incluem rastreadores próprios que dificilmente vão escapar.
Com o bloqueio sendo realizado pelo navegador, é possível que algumas redes de anúncio se recusem a aceitar o bloqueio e tentem burlar as proteções adotadas pelo Firefox, exatamente como aconteceu quando foram adotados os primeiros bloqueadores de pop-up.
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