A Double Fine nunca entrou num projeto com a intenção de perder dinheiro. Quem garante isso é o próprio fundador e CEO do estúdio, Tim Schafer, em entrevista concedida à Bloomberg no meio do turbilhão que tem sacudido o ecossistema Xbox nos últimos meses.
O contexto é o chamado “big reset” da Microsoft, que incluiu o corte de 3.200 funcionários e reacendeu um debate antigo sobre as prioridades da divisão de games. Muitos na indústria, incluindo o próprio Tim Schafer, apontaram que por muitos anos a principal missão dos estúdios internos foi abastecer o catálogo do Game Pass com lançamentos constantes, o que teria mudado recentemente.
A defesa de Tim Schafer
A Double Fine acabou no centro desse debate. Por ser um dos menores e mais excêntricos estúdios do portfólio Xbox, sempre pareceu óbvio para parte do público que seus jogos vendiam mal e a narrativa que circulou foi a de que o estúdio tinha carta branca para apostar em ideias de nicho sem qualquer preocupação comercial. Schafer recusa esse enquadramento.
“Nunca tentamos ativamente fazer um jogo que achávamos que ia dar prejuízo”, disse ele à Bloomberg. “Acho que as pessoas diriam: ‘Oh, Keeper parece aquele tipo de arte que ninguém espera que seja um sucesso.’ Mas, para mim, é o tipo de jogo que alguém que não joga videogames adoraria. Eu realmente acho que Keeper tem um apelo para o grande público. Se conseguíssemos chegar até essas pessoas, poderíamos fazê-las entender a febre do farol.”
O raciocínio não é sem fundamento. A lógica original do Game Pass era exatamente essa: alcançar quem acha que games se resumem apenas aos grandes lançamentos para que pudessem ter a chance de experimentar algo diferente. Nesse sentido, o serviço tinha o potencial de ser uma vitrine para uma diversidade de experiências que o modelo de varejo tradicional raramente conseguia.

O futuro do estúdio
Schafer afirmou à Bloomberg que ainda acredita no potencial de Kiln. Já Keeper foi lançado de surpresa, em formato de shadow drop, no PlayStation 5 esta semana, o que abre a possibilidade de o jogo encontrar um público maior.
A Double Fine também anunciou recentemente Thank You Bus Driver, um novo jogo que transforma a rotina de um motorista de ônibus em uma experiência caótica e cômica, na qual será preciso cumprir rotas, lidar com passageiros e regras, chegar às paradas no tempo e até recorrer a atalhos absurdos. O projeto também marca o retorno da Double Fine à independência após a separação do Xbox.
Fonte: Kotaku