SEGA quase aposentou Sonic para sempre 10 anos atrás, revela chefe do Sonic Team

Takashi Iizuka revelou que a Sega cogitou encerrar de vez os jogos do ouriço após uma sequência de lançamentos mal recebidos.

Takashi Iizuka, chefe do Sonic Team, revelou ao portal GamesRadar+ que a Sega chegou a cogitar encerrar definitivamente a franquia Sonic há cerca de dez anos e que foi ele quem recebeu a missão de salvar o ouriço azul da aposentadoria forçada.

Em entrevista recente, Iizuka foi direto ao ponto ao reconhecer que a série passou por momentos difíceis ao longo de seus 35 anos de história. “Houve até um momento em que a Sega disse: ‘Quer saber? A gente não precisa que você faça mais jogos do Sonic. Estamos bem. Terminamos com o Sonic'”, revelou o executivo.

A situação era tão grave que ele recebeu um ultimato pessoal: “Há dez anos, quando me mudei para a América pela primeira vez, o Sonic estava realmente em seu pior momento, e eles [a Sega] disseram: ‘Iizuka-san, se você não for para a América e não começar a construir isso e levantar o Sonic de volta, o Sonic vai acabar, e simplesmente vamos terminar com ele’.”

O contexto de uma queda histórica

Dez anos atrás significa 2016, um período que chegou pouco mais de um ano após o lançamento de Sonic Boom: Rise of Lyric, jogo que se tornou meme instantâneo. A série já carregava um histórico pesado de títulos problemáticos: a trilogia de baixa recepção formada por Shadow the Hedgehog, Sonic Genesis e Sonic the Hedgehog (2006) havia desgastado a imagem do personagem anos antes. Mesmo a recuperação parcial proporcionada por Sonic Colors e Sonic Generations não foi suficiente para segurar o tombo que viria com Sonic Lost World, Sonic Boom: Rise of Lyric e Sonic Forces.

A virada e o papel dos fãs

A missão de Iizuka nos Estados Unidos acabou coincidindo com um dos maiores acertos recentes da franquia: Sonic Mania, lançado poucos meses antes de Sonic Forces, é até hoje um dos títulos mais queridos da série, celebrado justamente por resgatar o espírito dos jogos clássicos. O executivo não deixou de reconhecer o papel essencial da comunidade nesse processo de recuperação. “É realmente graças aos fãs que o Sonic continua vivo“, afirmou.

Além dos jogos, outros vetores ajudaram a reposicionar o personagem. A franquia cinematográfica, iniciada em 2020, deu um impulso ainda maior ao ouriço. O ator de voz Roger Craig Smith, responsável pela voz do personagem nos games, creditou os filmes por levar “a notoriedade do personagem” para “uma estratosfera completamente diferente”.

O quadro atual ainda não é isento de críticas — Sonic Frontiers e Sonic Superstars receberam recepções mistas — mas a franquia está longe de estar na corda bamba de uma década atrás. A história de Iizuka é, no fim, a de um executivo que pegou um pedido quase desesperado da diretoria e transformou em continuidade.

Fonte: GamesRadar+

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