A Panache Digital Games, estúdio responsável por 1666: Amsterdam, emitiu um pedido de desculpas público após jogadores identificarem o uso de assets gerados por inteligência artificial no prólogo jogável do título, disponível gratuitamente no PC. Em comunicado postado no X, a desenvolvedora reconheceu os problemas, prometeu substituir o material e garantiu que nem o early access nem a versão completa do jogo conterão assets criados por IA.
O prólogo, uma experiência de aproximadamente 30 minutos, está disponível de graça na Epic Games Store e na Steam, onde acumula uma avaliação Mista dos usuários. Foi justamente na plataforma da Valve que parte das críticas mais diretas veio à tona. “Eles usam IA gerada em vários lugares. Imagens dentro do jogo, assets e até a arte promocional principal são geradas. Vou retirar dos meus favoritos e ignorar a empresa”, escreveu um usuário. Outro completou: “sobre a IA, não é difícil contratar um artista para fazer arte conceitual ou assets do jogo. O jogo cortou caminho e, no estado atual, não consigo recomendá-lo.”
O que o estúdio admitiu
No comunicado oficial, a Panache foi direta: artistas da equipe utilizaram IA para gerar “versões iniciais de assets“, que acabaram entrando no prólogo sem a devida substituição. O material identificado inclui retratos dentro do jogo e assets de marketing externo. O estúdio afirmou estar revisando ativamente o que foi publicado e que versões feitas por humanos serão disponibilizadas em uma atualização em breve.
“Várias pessoas nos fizeram perguntas ou manifestaram preocupações sobre se assets em nosso marketing e no jogo usam IA generativa”, escreveu a Panache. “Temos uma equipe dedicada de mais de uma dúzia de artistas talentosos e experientes. Com eles, analisamos os assets em questão e descobrimos que havia de fato algumas versões iniciais de assets que chegaram ao prólogo. Isso inclui alguns retratos no jogo e assets de marketing externo. Reconhecemos esse descuido e nos desculpamos por qualquer transtorno causado. Por favor, tenham a certeza de que o early access e o jogo completo não incluirão nenhum asset gerado por IA.”
O comunicado, no entanto, deixa uma questão em aberto: não fica claro se esses assets de IA sempre estiveram previstos para serem substituídos antes do lançamento completo, ou se a troca foi decidida exclusivamente em resposta à repercussão negativa.
Contexto do jogo e da desenvolvedora
1666: Amsterdam foi revelado na semana passada durante a Summer Games Fest. O projeto é encabeçado por Patrice Désilets, co-criador da franquia Assassin’s Creed, que concebeu o conceito do jogo anos atrás após uma saída conturbada da Ubisoft.
Apesar da polêmica, uma parte dos jogadores elogiou a atmosfera do prólogo e o estilo que lembra Assassin’s Creed, enquanto outros apontaram problemas de desempenho técnico. O lançamento em early access está previsto para algum momento ainda este ano, com a versão completa planejada para uma data posterior ainda não anunciada.
A number of people have raised questions or concerns to us about whether assets in our marketing and game use generative AI.
We have a dedicated team of over a dozen talented and experienced artists. With them, we looked into the assets in question and found that there were…— Panache Digital Games (@PanacheDGames) June 9, 2026