O nome de Eiji Aonuma é inseparável da franquia The Legend of Zelda, mas nem mesmo ele conseguiu ficar imune ao impacto que Resident Evil 4 causou na indústria no começo dos anos 2000. Em uma edição de 2005 da revista Edge, o produtor da saga admitiu que o game da Capcom o deixou com uma sensação rara: a de querer ter feito aquilo antes.
Na época, Eiji Aonuma vivia uma transição importante dentro da Nintendo. Ele havia deixado a cadeira de diretor para assumir o posto de produtor da franquia, papel anteriormente ocupado por Shigeru Miyamoto. Foi nesse período, durante o desenvolvimento de Twilight Princess, que ele se deparou com Resident Evil 4 e ficou visivelmente impressionado.
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“Recentemente estou jogando Resident Evil 4. Esse é um… impressionante, um jogo muito, muito bom. Às vezes tenho que reconhecer que, sim, eles fizeram. Eu deveria ter feito isso eu mesmo”, declarou Aonuma à publicação.
A admiração de Aonuma não veio sem um aceno de reconhecimento mútuo entre as franquias. Ele também pontuou que parte do que faz Resident Evil 4 funcionar pode ter raízes na própria saga que ele ajudou a construir.
“Às vezes tenho que dizer que, bem, talvez eles estejam fazendo essa seção em parte pensando em Zelda”, afirmou. No fim, ele reconhece o valor da produção da Capcom sem reservas: “De modo geral, acho que eles escolheram uma direção muito certa em termos de como fazer o jogo. Acho que posso aprender bastante com RE4”.
Essa troca de influências entre as duas franquias não é nenhuma surpresa para quem acompanhou aquele período da indústria. Resident Evil 4 foi um daqueles lançamentos que redefiniu parâmetros de design para uma geração inteira de desenvolvedores, num feito comparável ao que Ocarina of Time e Breath of the Wild fizeram pela saga Zelda.
A entrevista também tocou em um ponto mais pessoal da trajetória de Aonuma. Ele contou que chegou a manifestar para Miyamoto o desejo de se distanciar de Zelda após ter dirigido alguns jogos da franquia, mas a resposta do criador da saga foi simplesmente promovê-lo ao papel de produtor.
“O fato é que eu não conseguia pensar em nenhuma ideia concreta além de Zelda”, admitiu. “Em algum lugar na minha mente eu realmente quero tomar uma certa distância dela, mas o fato é que estou cada vez mais envolvido com The Legend of Zelda, e às vezes acho que é uma espécie de… destino para mim, então devo desistir de escapar disso!”
O contexto da declaração sobre Resident Evil 4 ganha ainda mais peso quando se olha para Twilight Princess com esse filtro. O game, que chegaria ao mercado depois dessa entrevista, apresentou um Link mais sombrio, com combates mais elaborados e uma estrutura que, em certos momentos, dialoga com a tensão e o ritmo que a Capcom soube construir tão bem.
Fonte: GamesRadar
