O executivo Victor Lee, da Krafton, revelou ao portal Rock Paper Shotgun durante a conferência Digital Dragons que a empresa recebeu cerca de 250 ofertas de roguelike deckbuilders nos últimos 12 meses, todos apostando no sucesso de Balatro para tentar garantir financiamento. Para Lee, o volume é tão grande que se tornou impossível fazer qualquer escolha.
“Tive talvez 250 roguelike deckbuilders [apresentados] nos últimos 12 meses“, afirmou o executivo. “Não sei como escolher. Você saberia? São todos Balatros com cartas diferentes. Não sei como escolher um.”
O problema dos clones de tendência
A Krafton é a editora por trás de títulos como Subnautica 2, PUBG e agora Hi-Fi Rush, e recebe regularmente ofertas de desenvolvedores independentes. Segundo Lee, o que ele observa vai além dos deckbuilders: o mesmo fenômeno já aconteceu com os chamados jogos de “friendslop“, co-ops que tentaram capitalizar em cima do sucesso de Peak, e com os jogos de horror social que surgiram após o estouro de Lethal Company. O padrão se repete a cada nova onda.
O executivo pondera que seguir uma tendência recente no Steam não seria necessariamente um problema se os estúdios conseguissem entregar o produto em aproximadamente um mês. “Eu até financiaria“, admitiu. O ponto crítico, porém, está nos projetos que ainda levarão um ou dois anos para chegar ao mercado: não há nenhuma garantia de que a tendência ainda estará em alta quando o jogo for lançado.
“Se você está gastando uma quantidade muito pequena de dinheiro, assumindo um risco muito pequeno para lançar algo muito rapidamente e ver o que acontece — ótimo”, disse Lee. “Mas se você está apostando sua vida em um gênero de baixo risco e baixa barreira de entrada, pense de verdade em quantas pessoas jogam isso. Pense no tamanho desse espaço. E, de novo, no ano passado foi o friendslop — esse ano, não sei nem o que é agora.”
Paixão acima de oportunismo
Victor Lee deixou claro que não está fechado para trabalhar com desenvolvedores de roguelike deckbuilders, mas sua preferência recai sobre equipes que criam por convicção, não por oportunismo. Para ele, um estúdio genuinamente apaixonado pelo gênero que está fazendo entrega um produto mais coerente e com maior potencial de encontrar seu público.
“Prefiro trabalhar com jogadores de RPG que só jogaram RPGs e querem fazer o RPG deles, e que vão entregar isso em 2029“, explicou o executivo. Mesmo que os RPGs não estejam em alta lá na frente, Lee acredita que um grupo de fanáticos do gênero vai inevitavelmente construir algo que fale diretamente com outros fanáticos — o que, no fim das contas, é o que sustenta uma comunidade fiel. O ciclo de tendências no mercado de games, segundo ele, “está ficando cada vez mais curto”, e apostar cegamente na próxima grande onda raramente compensa o investimento de anos de desenvolvimento.
Fonte: GamesRadar