Criador de Danganronpa critica estagnação das visual novels: “só história já não basta”

Kazutaka Kodaka afirma que o gênero precisa evoluir além da narrativa tradicional.

Kazutaka Kodaka, diretor de Danganronpa e fundador da TooKyo Games, foi além das comemorações do primeiro aniversário de The Hundred Line: Last Defense Academy para lançar um diagnóstico incômodo sobre o próprio gênero que o consagrou: as visual novels estão estagnadas, e depender apenas de uma boa história é uma batalha perdida.

O gancho para a conversa era o marco de um ano desde o lançamento de The Hundred Line: Last Defense Academy, o visual novel TRPG de estreia da TooKyo Games. Para celebrar a data, o estúdio anunciou uma adaptação oficial em manga e uma peça teatral original com múltiplos finais baseada no jogo. Mas foi o olhar de Kodaka sobre o gênero como um todo que chamou mais atenção.

Ao ser questionado sobre a recente onda de sucesso das adventure games, impulsionada por títulos como Urban Myth Dissolution Center e Paranormasight, Kodaka foi direto. “Quando se trata de adventure games focadas em história, sinceramente acho que livros são um material de leitura de qualidade muito superior. Afinal, obras escritas por autores famosos são simplesmente mais interessantes de ler”, afirmou.

Para o diretor, quem deseja criar uma história verdadeiramente marcante está, na prática, competindo com renomados autores. E a única forma de um desenvolvedor vencer essa disputa é explorar os sistemas e formas de expressão que são exclusivos do meio dos videogames, usando as mecânicas para provocar emoção, não apenas a narrativa.

“Até o ato de virar páginas pode funcionar como gameplay na minha opinião, e acredito que obras que realmente consideram esses aspectos podem ser chamadas de adventure games excepcionais”, explicou Kodaka. Apesar de reconhecer que o gênero tem florescido, especialmente na cena indie, ele afirma sentir que as visual novels estão estagnadas “sistemicamente“ no que diz respeito ao design.

13 sentinels aegis rim capa

Um diagnóstico compartilhado

Kodaka não está sozinho nessa avaliação. Jiro Ishii, criador de 428: Shibuya Scramble, expressou sentimento parecido em entrevista recente, comentando que as visual novels e adventure games podem ter chegado a um “beco sem saída evolutivo” na última década. Ishii, porém, apontou que jogos como 13 Sentinels: Aegis Rim, a série Zero Escape e Gnosia, que ele classifica respectivamente como visual novels de “mundo aberto” e “roguelike”, abriram caminho para potenciais avanços no gênero.

No mesmo espírito, Kodaka depositou esperança nas novas gerações de criadores japoneses. “Espero de verdade que uma obra mostrando uma forma completamente nova de contar histórias venha do Japão. Cada um tem suas preferências, mas pessoalmente quero ver desenvolvedores japoneses criarem algo como Return of the Obra Dinn ou No Case Should Remain Unsolved”, disse.

Fonte: Automaton Media

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