Os bastidores do desenvolvimento de Star Wars: Knights of the Old Republic escondiam uma batalha inusitada: um escritor da BioWare chegou a gastar um dia inteiro vasculhando os filmes da franquia para provar à Lucasfilm que a palavra damn (algo como “merda” ou “droga” em inglês) fazia sentido no universo de Star Wars. A história foi revelada por Mark Darrah, veterano da BioWare que, embora não tenha trabalhado diretamente em KOTOR, estava ativo no estúdio na época e mais tarde ajudou a desenvolver o MMO The Old Republic.
Em entrevista ao FRVR, Darrah contou que a Lucasfilm tinha um problema específico com o vocabulário do RPG. Segundo ele, a empresa detentora dos direitos alegava que a palavra damn simplesmente não era algo que um personagem de Star Wars diria. A equipe de roteiristas, naturalmente, discordou e resolveu ir atrás das provas.
Um dia inteiro de pesquisa, frame por frame
“Um dos escritores de KOTOR passou um dia inteiro vasculhando os filmes, separando cada instância de um personagem dizendo ‘damn'”, relatou Darrah. A sugestão dele era de que haveria quase 20 ocorrências, mas fãs mais rigorosos chegaram a um número bem menor: até o lançamento de KOTOR em 2003, a palavra aparecia apenas três vezes nos filmes: uma vez em Uma Nova Esperança, uma vez em O Império Contra-Ataca e uma vez em O Ataque dos Clones.
Mesmo assim, a pesquisa foi suficiente para sustentar o argumento. O problema é que provar um ponto e vencer a negociação são duas coisas muito diferentes quando se trata de licenciamento. Segundo Darrah, a maior parte dos damns acabou cortada do roteiro final porque “o detentor dos direitos sempre vence.”
O começo da limpeza do vocabulário em Star Wars
Darrah aponta KOTOR como uma das primeiras vítimas de um esforço mais amplo da Lucasfilm para eliminar palavrões do mundo real do universo de Star Wars, uma tendência que se consolidou ao longo dos anos com a criação de palavrões fictícios como kriff e poodoo, hoje presentes em séries e outros materiais do universo expandido.
A derrota, no entanto, não foi total. Alguns palavrões reais sobreviveram ao corte final e chegaram ao jogo lançado em 2003. A classificação etária do título é T (Teen) pelo ESRB, e boa parte dessa avaliação se deve às representações de violência, não ao vocabulário considerado levemente inadequado, o que sugere que a batalha pela linguagem, mesmo parcialmente perdida pelos roteiristas, não deixou grandes marcas na versão que chegou às mãos dos jogadores.
Fonte: GamesRadar