PUBG: DED.NET, o novo spinoff da Krafton, não quer agradar todo mundo e esse é exatamente o plano. Em entrevista à IGN durante a gamescom, o diretor criativo Dave Curd, veterano de nove anos e meio trabalhando no universo de PUBG, foi direto ao ponto: fazer um jogo para o mercado de massa virou “veneno de bilheteria”.
DED.NET é um shooter multiplayer em primeira pessoa que, à primeira vista, parece seguir a receita do PUBG original, sobreviver mais que os adversários. Mas as semelhanças param por aí. O jogo incorpora progressão roguelite que persiste entre partidas, com cada run acumulando consequências para as seguintes. A estética batizada de Grunge House define o tom visual e narrativo: o jogo se passa em Cascadia, no ano de 1996, num mundo inspirado no Noroeste Pacífico dos Estados Unidos da década de 90.
As partidas têm duração de cerca de 25 a 30 minutos, tornando a experiência mais digerível do que as sessões do PUBG tradicional. Outro ponto relevante: enquanto o battle royale original chegou aos consoles depois do PC, o DED.NET foi construído do zero para rodar também nos consoles.
Curd não esconde a intenção de polarizar. Para ele, a era dos jogos que tentam não ofender ninguém está com os dias contados.
“Acho que a era de fazer algo para o mercado de massa… o que é isso significa atualmente? Não acho que seja seguro. Não acho que seja inteligente. Acho que fazer algo que realmente conquiste um fandom, algo com que as pessoas se sintam vistas e com o qual se conectem, e que tenha tanto apoiadores quanto detratores — isso é mais sábio do que ‘bem, vamos garantir que ninguém fique muito ofendido e que todo mundo goste um pouco’. Então estamos tentando ser sexy, evocativo, sangrento”, afirmou Curd.
Mais adiante, o diretor foi ainda mais categórico: “Acho que o meio-termo é o veneno de bilheteria. Você quer amantes e odiadores. Quem odeia o suficiente para odiar talvez possa ser alcançado um dia.” O que Curd quer evitar a todo custo é a apatia. Na visão dele, uma reação negativa ainda é uma reação e abre caminho para uma reconquista. A indiferença, não.
A estética Grunge House do jogo bebeu em fontes bastante específicas, segundo Curd: a banda Nirvana, filmes de zumbi italianos, o movimento Grindhouse e os filmes de Tarantino. O universo narrativo também carrega influências de Twin Peaks, X-Files e do cinema de body horror de David Kronenberg.
“Estamos tentando criar uma experiência verdadeiramente evocativa, do tipo ame ou odeie. Você está sempre atrás de uma build, se metendo em confusões hilariantes pelo caminho. Está contando histórias absurdas, se engajando num mundo cheio de Twin Peaks, X-Files, David Kronenberg, body horror”, descreveu o diretor.
Curd também deixou claro que, se o jogo provar ser algo que funcione, espera que outros desenvolvedores de battle royale tentem replicar a mecânica de “jornada multi-partida” com progressão roguelite. Mas há algo que ele acredita ser irreproduzível: “O que eles não conseguirão replicar é o nosso mundo, onde você pode cortar suas próprias mãos e substituí-las por facões e ter um confronto numa mansão de culto, num porão subterrâneo cheio de corpos.”
O ponto de partida do DED.NET foi uma missão dada pelo chefe de Curd: “espalhar o evangelho do PUBG para os não-crentes”. A partir daí, o diretor fez uma lista mental do que o PUBG faz de melhor e a principal conclusão foi que o jogo funciona como um “motor de histórias infinitas“. Uma partida, um sobrevivente, 99 derrotados.
A pergunta que surgiu foi: e se esse motor persistisse ao longo de múltiplas partidas? A resposta foi o sistema de progressão central do DED.NET. Os jogadores acumulam lesões e características entre as runs, uma tosse por hipotermia depois de nadar, zumbido nos ouvidos após levar um tiro na cabeça, ou tiques como o personagem spammar provocações involuntariamente e revelar sua posição. Um dos favoritos de Curd é o chamado Stuntman: sempre que o jogador faz uma rasteira ou rola, uma explosão pode surgir atrás dele porque “parece estiloso“, mas pode machucar o próprio personagem ou os aliados.
O elenco inicial conta com nove personagens, cada um com relacionamentos, quests e rivalidades entre si. Nos testes internos, a resposta foi mais rápida do que o esperado. “Dois ou três dias após nosso último playtest, já estávamos recebendo fan arts retratando triângulos amorosos. E eu não esperava que as pessoas entendessem tão rápido. Isso me mostra que algumas pessoas estão se engajando de verdade com o mundo e se tornando fãs de verdade — não fãs de produto corporativo. Pessoas reais que amam o universo. E isso foi incrivelmente validador para mim e para o time”, disse Curd.
Os jogadores já podem se inscrever para o closed beta que está por vir. PUBG: DED.NET está previsto para PC, PlayStation 5 e Xbox Series.
Fonte: IGN
Antes previsto para 16 de fevereiro, o exclusivo de PS5 foi adiado para permitir ajustes… Ver mais
Análises da crítica destacam a câmera renovada, os controles e a reconstrução de Hyrule. Ver mais
Usuário processou o trailer com uma RTX 4080, melhorando os cenários, embora com falhas nos… Ver mais
PlayStation 5 concentra 74% das reservas, enquanto a Newzoo projeta até US$ 5,2 bilhões em… Ver mais
O jogo perdeu grande parte do público no Steam e prepara mudanças profundas no combate… Ver mais
Microsoft avalia pelo menos três propostas de compra, enquanto cerca de 217 funcionários aguardam uma… Ver mais