Um dos últimos grandes segredos de hardware do PlayStation 2 finalmente foi revelado. Após quatro anos de engenharia reversa, o desenvolvedor DiscoStarslayer conseguiu extrair o conteúdo do MechaCon CXP102064, um dos chips responsáveis pelo funcionamento do sistema de segurança e da unidade óptica dos primeiros modelos “Fat” do console.
O anúncio foi feito em setembro de 2026, quando o pesquisador afirmou que o processo envolveu decapagem química, análise óptica do chip e, posteriormente, uma solução baseada em software. DiscoStarslayer também deu crédito a outro modder, conhecido como Libby, pela descoberta da vulnerabilidade que tornou possível chegar ao método final de extração.
MechaCon era uma peça importante da segurança do PS2
O MechaCon, abreviação de Mechanics Controller, é um microcontrolador presente em diferentes revisões do PlayStation 2. Nos primeiros modelos, o CXP102064 utiliza um núcleo Sony SPC970 de 16 bits operando a aproximadamente 33,87 MHz.
O componente controla funções relacionadas à unidade óptica, incluindo a autenticação de discos, além de participar de mecanismos de segurança do console. A família MechaCon também está relacionada a recursos como a criptografia MagicGate das unidades de memória e a decodificação de determinados arquivos executáveis.
O grande obstáculo para os pesquisadores era que o firmware estava armazenado em Mask ROM, gravada diretamente durante a fabricação do chip. Isso impedia que seu conteúdo fosse simplesmente lido como acontece com uma memória convencional.
After 4 years of effort, I'm happy to announce that one of the final secrets of the PS2 has been broken wide open!
It's been a long process of decapping, optical dumping, and now at last a software solution.
Thank you Libby for finding the exploit from our dirty optical dumps! pic.twitter.com/VrsCH8I35C
— DiscoStarslayer (@DiscoStarslayer) September 13, 2026
Pesquisa começou com o chip fisicamente exposto
Para contornar essa barreira, DiscoStarslayer precisou realizar uma decapagem química, removendo o encapsulamento do componente para expor o silício. A partir daí, foi possível utilizar técnicas de análise óptica e microscopia para tentar reconstruir os dados presentes na ROM.
As primeiras leituras, porém, apresentavam erros. Foi justamente a partir desses dados imperfeitos que Libby encontrou uma vulnerabilidade que permitiu transformar o trabalho de análise física em uma solução de software capaz de extrair o conteúdo do MechaCon.
O resultado é especialmente importante para a preservação de hardware antigo. Com o firmware documentado, pesquisadores podem estudar como o chip funciona em detalhes e usar essas informações para desenvolver ferramentas de emulação, reparo e novos projetos de homebrew.
Descoberta pode ajudar futuros mods do PS2
Um dos possíveis benefícios é o desenvolvimento de uma alternativa para substituir o MechaCon original em consoles antigos. Isso poderia ser particularmente útil para preservar aparelhos cujo chip de segurança apresente problemas, já que componentes desse tipo são cada vez mais difíceis de substituir.
A descoberta também pode beneficiar projetos de emulação que buscam reproduzir com maior precisão o comportamento de baixo nível do PlayStation 2. O MechaCon não era exclusivo dos consoles da Sony: variantes do firmware também foram utilizadas em plataformas de arcade como Namco System 246/256 e Konami Python 1, ampliando o interesse da comunidade de preservação.
Depois de 26 anos, uma parte do funcionamento interno do PS2 que permaneceu praticamente inacessível finalmente pode ser estudada. Para a comunidade de modding e preservação, isso representa mais uma peça importante do hardware original que deixa de ser uma “caixa-preta”.