Uma pesquisa conduzida pelo GamesRadar+ em parceria com a YouGov revelou que as mulheres nos games ainda enfrentam barreiras significativas: 48% das jogadoras de PC e console nos Estados Unidos e no Reino Unido afirmam que as comunidades e a cultura gamer não as acolhem nem as representam. O levantamento foi realizado em julho de 2026 com 2.161 entrevistados e serve de base para o novo podcast G+RLS, lançado pela própria equipe do portal.
Os números ficam ainda mais expressivos quando o recorte se estreita. Entre as jogadoras de console especificamente, o índice de não pertencimento sobe para 53%. Já entre as mulheres que jogam shooters competitivos, gênero historicamente associado a ambientes online mais hostis, a fatia chega a 56%.
O problema vai além das mulheres
A pesquisa também mapeou o comportamento online de jogadores em geral, não apenas das mulheres. Os resultados apontam que 19% dos entrevistados utilizam avatares neutros em relação ao gênero em espaços online, enquanto 22% restringem o uso de chat de voz apenas a grupos fechados de amigos de confiança. Outros 19% evitam o chat de voz por completo. O quadro indica que a necessidade de mascarar a identidade online não é uma experiência exclusiva das mulheres, é um sintoma mais amplo das comunidades de jogos.
Outro dado curioso do levantamento diz respeito à identidade do próprio público gamer: apenas 46% dos jogadores entrevistados se autodenominariam um gamer. No entanto, 60% desse mesmo grupo afirmou que fala abertamente sobre o hábito de jogar videogame com amigos, colegas de trabalho e até conhecidos recentes. Há, portanto, uma dissociação clara entre praticar o hobby e abraçar o rótulo.
Mulheres representam quase 50% do público gamer
Segundo dados da Entertainment Software Association (ESA), as mulheres representam cerca de 48% do público global de games, enquanto os homens correspondem a 51%. O levantamento faz parte do relatório Global Power of Play 2025 e ouviu 24.216 jogadores ativos em 21 países.
No Brasil, a participação feminina é ainda maior: as mulheres representam 57% dos jogadores, contra 43% dos homens, de acordo com o mesmo levantamento. O dado mostra que o perfil do público brasileiro se diferencia da média global e reforça a presença significativa das mulheres no mercado de games.
Cenário que não melhorou
A relação das mulheres com a indústria e as comunidades de games mudou consideravelmente ao longo das últimas décadas. Embora elas representem uma parcela grande do público consumidor de videogames, a percepção de que o ambiente gamer não é acolhedor continua aparecendo em pesquisas e relatos de jogadoras, especialmente em espaços competitivos e nas interações online.
Esse cenário também acompanha a transformação das próprias comunidades de jogos. Com a popularização do multiplayer online, dos chats de voz e das plataformas de streaming, a identidade dos jogadores passou a ficar cada vez mais exposta. Ao mesmo tempo em que esses recursos aproximaram as comunidades, também criaram novas oportunidades para comportamentos tóxicos e situações de assédio.
Os resultados da pesquisa do GamesRadar+ e da YouGov ajudam a dimensionar esse problema em 2026. O fato de mais da metade das jogadoras de console e das mulheres que participam de shooters competitivos relatarem não se sentir representadas ou acolhidas mostra que o crescimento da presença feminina no mercado não necessariamente foi acompanhado por uma mudança equivalente na cultura das comunidades.
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Fonte: GamesRadar+
