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O efeito Jujutsu Kaisen: MAPPA quase triplica sua participação e assume o topo dos animes na Ásia

Jujutsu Kaisen foi o principal motor por trás da ascensão da MAPPA ao topo da indústria de anime. Segundo o relatório “The Anime Economy”, publicado pela consultoria Media Partners Asia (MPA), a série ficou na liderança entre os títulos mais assistidos em sete dos oito mercados asiáticos rastreados no primeiro semestre de 2026, impulsionando a fatia da MAPPA nas horas de anime regionais de 6,1% no segundo semestre de 2025 para 17,3% no primeiro semestre de 2026.

O levantamento, que cruzou dados dos painéis de audiência ampd da MPA em oito mercados asiáticos, com as divulgações públicas da Netflix e pesquisas adicionais, revelou que o anime superou todos os outros gêneros em audiência mensal nas plataformas de streaming premium da região entre julho de 2025 e agosto de 2026.

Entre 31% e 47% dos usuários de VOD premium nessas regiões assistiram a algum anime em cada mês do período, contra uma faixa de 26% a 34% registrada pela média dos outros sete gêneros monitorados. No Japão, os números foram ainda maiores: de 45% a 59% para o anime, frente a 24% a 36% para os demais gêneros.

A escalada da MAPPA e o peso de Jujutsu Kaisen

Com o desempenho de Jujutsu Kaisen, a MAPPA terminou o primeiro semestre de 2026 à frente de todos os concorrentes diretos, ainda que por margem pequena. A TMS Entertainment ficou logo atrás com 16,6% das horas de anime regionais, seguida pela Toei Animation com 13% e pelos títulos masterizados pela Aniplex com 12%.

O movimento consolida a MAPPA como um dos estúdios mais relevantes do mercado global de animação japonesa, e o acordo de parceria firmado com a Netflix em janeiro de 2026 é citado pela MPA como um marco na tendência de plataformas avançarem em direção a franquias próprias em vez de dependerem apenas de licenças de catálogo.

Netflix domina, mas disputa acirrada com Prime Video no Japão

A Netflix concentrou aproximadamente metade de toda a audiência de anime na região ao longo do período analisado, com 51% das horas de anime no segundo semestre de 2025 e 50% no primeiro semestre de 2026. No Japão, o maior mercado de anime do mundo, a disputa se converteu em um confronto direto entre as duas maiores plataformas globais: o Prime Video detinha 43% das horas de anime no segundo semestre de 2025, antes de a Netflix alcançar o empate técnico, com 42% cada, no primeiro semestre de 2026.

O crescimento da Netflix no segmento é expressivo em termos históricos. A plataforma registrou 3,33 bilhões de horas de anime japonês assistidas no primeiro semestre de 2023, número que saltou para 4,64 bilhões de horas no primeiro semestre de 2026, alta de 39%, contra apenas 4,5% de crescimento no total de horas da plataforma no mesmo intervalo. A participação do anime no total de horas da Netflix avançou de 3,6% para 4,75%. Quatro quintos desse consumo, no entanto, ainda provêm de conteúdo licenciado de catálogo.

Projeções para o futuro

A MPA projeta que os gastos globais com anime crescerão cerca de 10% ao ano até 2030, impulsionados principalmente pelos mercados asiáticos fora do Japão e pela América do Norte, com os ganhos concentrados em um grupo restrito de empresas detentoras de franquias, estúdios e plataformas. O cenário-base da consultoria para os próximos 24 meses aponta para um modelo híbrido de financiamento, no qual as plataformas bancam a produção enquanto os estúdios retêm os direitos de propriedade intelectual.

Vivek Couto, CEO e diretor executivo da Media Partners Asia, sintetizou o momento da indústria com uma avaliação direta sobre onde está o verdadeiro desafio do setor:

“O escopo do anime está estabelecido; a questão é de onde virá o próximo crescimento e quem vai capturá-lo. Os catalisadores são o streaming avançando em novos mercados globais, eventos teatrais na escala de Infinity Castle [Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba Infinity Castle] se tornando recorrentes, e games e merchandise levando as franquias muito além das telas. A direção é a propriedade: plataformas financiando produção diretamente, grupos japoneses de IP comprando estúdios, e os dois aprendendo a trabalhar juntos.”

Couto também apontou o principal obstáculo para essa expansão.

“A restrição é capacidade, não demanda ou capital. Os estúdios que fazem os maiores sucessos são frequentemente os menos capazes de investir, e a indústria ainda depende de um punhado de franquias. As empresas que resolverem o problema de capacidade, e trouxerem os animadores junto, estarão melhor posicionadas para a próxima fase de crescimento.”

No Brasil, Jujutsu Kaisen está disponível na Crunchyroll.

Fonte: Variety

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coca

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