Os cheaters nos jogos deixaram de ser um problema isolado de jogadores frustrados e se tornou uma ameaça econômica concreta para a indústria. Um relatório da Anybrain aponta que 51% dos estúdios já registraram perdas diretas de jogadores e receita por conta de trapaças, consolidando o tema como uma das principais dores de cabeça do mercado atualmente.
O levantamento descreve o ecossistema do cheating como algo cada vez mais estruturado e profissionalizado, que vai muito além do jogador que baixa um aimbot para uma partida casual. O cenário inclui assinaturas de cheats, serviços de boosting e manipulação das economias internas dos jogos.
Para dimensionar o tamanho do problema, a Anybrain estima que esse mercado tenha atingido um valor global de 8,5 bilhões de dólares. Um caso citado no relatório ilustra bem essa escala: em 2021, um único desenvolvedor de cheats teria faturado cerca de 77 milhões de dólares com um serviço voltado exclusivamente para um único jogo.
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Sistemas anti-cheat ainda não dão conta do recado
Apesar dos investimentos, os estúdios seguem travando uma batalha difícil. 45% dos entrevistados afirmam que os trapaceiros conseguem driblar os sistemas anti-cheat em uso, enquanto 58% relatam reclamações recorrentes de suas próprias comunidades por conta das trapaças. O problema, portanto, é sentido tanto nos bastidores quanto pelos próprios jogadores.
As soluções adotadas também não chegam sem efeitos colaterais. 55% dos estúdios relatam dificuldades técnicas causadas pelos próprios softwares anti-cheat, e 31% enfrentam o problema dos falsos positivos, situações em que jogadores inocentes acabam banidos incorretamente. Outros 37% já sofreram reações negativas de suas comunidades em resposta às medidas implementadas. Ou seja: agir contra o cheating também tem seus riscos.
Entre as tecnologias mais utilizadas atualmente, os sistemas anti-cheat do lado do cliente (client-side) lideram, presentes em 50% dos estúdios. Em seguida aparecem as soluções baseadas em inteligência artificial, com 48%, e os sistemas de terceiros, com 42%. Vale destacar que os estúdios podem adotar mais de uma tecnologia simultaneamente, o que explica a sobreposição dos números.
Investimentos crescem, mas parte da indústria ainda não age
A tendência é de que o combate ao cheating exija cada vez mais recursos. 93% dos estúdios entrevistados já contam com equipes dedicadas ao tema, e 88% planejam aumentar os investimentos na área nos próximos 12 meses. Para esse próximo ciclo, as soluções baseadas em IA são as mais consideradas, indicadas por 44% dos desenvolvedores, seguidas pelos sistemas de terceiros (42%) e pelas soluções proprietárias em nível de kernel (33%).
Mesmo assim, 24% dos estúdios do levantamento ainda não utilizam nenhum sistema anti-cheat. As razões variam: 25% desse grupo alega dificuldade em encontrar uma solução eficaz, 22% teme as reações da comunidade, outros 22% acreditam simplesmente não ter um problema significativo de trapaça, 15% não dispõem de equipe dedicada e 12% considera os custos altos demais para o momento. Ainda assim, 73% desse grupo sem proteção afirma estar avaliando a implementação de algum sistema dentro do próximo ano.
No geral, o relatório termina com uma nota de otimismo cauteloso: 92% dos entrevistados acredita que será possível, no futuro, eliminar o cheating de seus jogos. O caminho até lá, no entanto, ainda será longo e caro.
Fonte: Multiplayer.it