Harvey Smith, diretor de Dishonored, anunciou a criação da Black Pony Immersive, seu novo estúdio independente, cofundado com Ben Horne, também veterano da Arkane Studios. O nome não foi escolhido por acaso: ele carrega uma declaração explícita de intenções sobre o tipo de jogo que a equipe pretende desenvolver, e a história por trás dessa escolha diz muito sobre as cicatrizes deixadas pelo fim turbulento da Arkane.
Segundo Smith, colocar a palavra “immersive” diretamente no nome do estúdio foi uma decisão deliberada para encerrar qualquer dúvida sobre o escopo criativo da empresa. “Sobre o nome, era importante para nós dizer às pessoas: ‘É isso que somos'”, explicou ele em entrevista ao PC Gamer. O diretor relembrou que, durante os anos em que a Arkane operava de forma independente, a pressão para aceitar projetos fora do perfil do estúdio era constante e frequentemente acompanhada de argumentos financeiros difíceis de ignorar.
“As pessoas diziam: ‘Vocês vão fechar as portas recusando este projeto, isso é dinheiro. Estão oferecendo dinheiro para vocês fazerem esta DLC de um shooter em terceira pessoa.’ E a gente respondia: ‘Sim, mas a gente não curte isso, não sabe fazer bem, e acha aquele jogo uma bobagem.’ Então, de forma geral, íamos recusar e apostar a empresa em fazer o que a gente era conhecido por fazer.”
Essa postura, que alguns poderiam classificar como teimosia, se mostrou acertada. A Arkane foi se tornando progressivamente o estúdio de referência no gênero de immersive sim e isso atraiu até parcerias pontuais em projetos do mesmo nicho. Smith citou o caso de BioShock 2: quando a equipe precisava de reforço para desenvolver fases, recorreu justamente à Arkane. “Levamos Christophe Carrier, nosso diretor de level design, que é realmente a fonte de onde vem muito desse pensamento na Arkane. Levamos ele e uma equipe, e os colocamos em BioShock 2. E isso só aconteceu porque as pessoas nos associavam a esse tipo de jogo.”
A trajetória da Arkane, no entanto, eventualmente encontrou um desvio de rota: Redfall, o shooter multiplayer com temática de vampiros, desenvolvido pela Arkane Austin. O jogo chegou ao mercado sendo recebido de forma extremamente negativa pela crítica e pelo público, e Smith não poupa palavras ao avaliar o projeto em retrospecto. “Foi um jogo que não funcionou”, afirmou ele. “E, honestamente, a gente nunca deveria ter trabalhado em um jogo como serviço.”
As consequências foram graves. Redfall contribuiu diretamente para o fechamento da Arkane Austin, dentro do amplo processo de reestruturação da Xbox. Já a Arkane Lyon, responsável por franquias como Dishonored e Deathloop, sobreviveu ao corte, mas encontra-se em situação delicada.
É nesse contexto que a fundação da Black Pony Immersive ganha um significado extra. Ao criar um estúdio independente com identidade criativa tão explícita desde o nome, Harvey Smith e Ben Horne parecem ter tirado uma lição direta dos erros e acertos das últimas décadas. “Há muitas formas de fracassar, muitas formas de ter sucesso”, resumiu Smith. “Mas especializar-se no que você ama não é um caminho ruim.”
Fonte: PC Gamer
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