Durante décadas, os fãs brasileiros conheceram os heróis da Marvel por nomes que se tornaram parte da cultura pop do país. Homem-Aranha, Capitão América, Homem de Ferro e Demolidor não são traduções improvisadas nem nomes ultrapassados, mas a forma oficial pela qual gerações de leitores que cresceram lendo quadrinhos, assistindo a desenhos, vendo filmes dublados e consumindo produtos da Marvel os conheceram. É justamente por isso que a abordagem recente adotada pela Marvel nos jogos causa tanta estranheza.
Em vez de utilizar a localização brasileira já consolidada, lançamentos recentes passaram a priorizar os nomes originais em inglês. De repente, em meio a uma dublagem totalmente em português, vimos o Homem-Aranha ser chamado de Spider-Man e o Duende Verde de Green Goblin em ambos os jogos da Insomniac.
O recente Marvel Tokon foi ainda mais longe, trazendo nomes como Captain America e Guardians of the Galaxy nas vozes em Português. O resultado não parece algo mais fiel ao material original, apenas transmite uma sensação de inconsistência que quebra a imersão.
Localização não significa apenas traduzir as palavras, seu objetivo é fazer com que uma obra pareça natural para o público daquele idioma. Imagine ouvir uma conversa inteiramente dublada em português brasileiro e, no meio do diálogo, surgir uma frase como: “O Green Goblin está atacando a cidade.” Ou então: “Precisamos chamar os Guardians of Galaxy.” É uma mudança de idioma que soa artificial e algo que anda acontecendo nos jogos da empresa.
Esses nomes não permaneceram em inglês porque seriam impossíveis de traduzir. Eles já possuem versões oficiais em português há décadas. Quando o roteiro alterna constantemente entre português e inglês, a sensação é de estranheza. E, ironicamente, quanto melhor é a dublagem, mais essas escolhas chamam atenção.
O Brasil nunca teve dificuldade em adotar nomes traduzidos para seus super-heróis. As editoras, emissoras de televisão e até os próprios filmes da Marvel passaram décadas construindo uma nomenclatura consistente. Esses personagens se tornaram ícones culturais usando seus nomes em português e essa consistência ajudou a consolidar a identidade da Marvel no Brasil.
Abandonar essa característica agora, anos depois, não torna a franquia mais internacional, apenas rompe uma convenção que o público já assimilou naturalmente ao longo de gerações. É claro que alguns personagens possuem nomes mais difíceis de adaptar e em determinados casos manter o original pode até fazer sentido, mas o problema é justamente em substituir os nomes em português que são oficiais, amplamente reconhecidos e fazem parte da identidade desses personagens no Brasil.
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Esse talvez seja o argumento mais comum. É verdade que praticamente qualquer fã sabe quem é Spider-Man ou Captain America, mas isso não significa que produtos oficialmente localizados devam abandonar sua própria identidade linguística. Ninguém defenderia que uma dublagem brasileira começasse, de repente, a misturar português e inglês em todos os diálogos apenas porque o público reconhece esses nomes.
Talvez alguns argumentem que a DC já faz o mesmo com alguns heróis, mas Batman e Superman já são nomes que os fãs usam há décadas e fazem parte da cultura pop, mas ninguém nunca chamou de Black Panther, por exemplo. Para piorar, manter nomes de grupos como Guardians of the Galaxy e Avengers soa estranho. O pior foi ouvir durante Marvel Tokon os personagens mencionando Hydra com uma pronúncia americana.
O mais estranho é essa tendência existir apenas nos jogos. As HQs mantêm os nomes traduzidos, e o que mais chama atenção é o fato dos filmes do MCU também continuarem com as versões em Português. Manter os nomes originais era algo que nunca havia acontecido no Brasil e começou agora com os jogos.
Durante anos, os filmes dublados continuaram utilizando nomes como Homem-Aranha, Capitão América, Doutor Estranho, Feiticeira Escarlate e Guardiões da Galáxia. Ou seja, o próprio MCU reforçou a nomenclatura em português. É justamente por isso que a decisão adotada nos jogos parece tão desconectada do restante da marca.
E você, o que acha do assunto? Não se importa com o uso dos nomes originais ou preferia que os jogos da Marvel os mantivessem traduzidos? Contra pra gente abaixo!
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