A deputada europeia Markéta Gregorová defendeu a iniciativa Stop Destroying Video Games durante um debate com representantes da Comissão Europeia, argumentando que empresas não deveriam ter o poder de inutilizar jogos que já foram comprados pelos consumidores. “Quando uma empresa encerra o suporte para um jogo que as pessoas já compraram e pagaram, ela deve deixar esse jogo em um estado funcional, em vez de acessar nossos dispositivos e simplesmente desligá-lo”, afirmou Gregorová.
Segundo a deputada, a iniciativa não exige que empresas mantenham servidores ou ofereçam atualizações indefinidamente. O objetivo seria garantir que um jogo comprado não possa ser deliberadamente destruído pelo próprio responsável por sua publicação. “Ela não pede um serviço gratuito para sempre. Não pede atualizações intermináveis. Ela pede que aquilo pelo qual pagamos não possa ser deliberadamente destruído”, explicou.
Quase 1,3 milhão de europeus apoiam a iniciativa
Gregorová destacou durante o discurso que quase 1,3 milhão de europeus assinaram a iniciativa Stop Klling Games, defendendo que esse número demonstra a necessidade de um debate sério sobre o assunto. “Eles merecem nosso envolvimento sério, e merecem isso de boa-fé”, disse a eurodeputada ao se referir aos cidadãos que apoiaram a proposta.
A iniciativa busca estabelecer regras para situações em que uma empresa decide abandonar um jogo que já foi comercializado. Em vez de simplesmente desligar os servidores e tornar o título inutilizável, a proposta defende que o produto permaneça funcional de alguma maneira.
Gregorová critica argumentos da Comissão Europeia
A deputada também criticou argumentos apresentados anteriormente por representantes da Comissão Europeia em audiências públicas. De acordo com Gregorová, representantes do órgão teriam repetido posições semelhantes às defendidas por algumas das maiores editoras do setor. Entre os argumentos mencionados estão a ideia de que jogos “sempre online” dependem necessariamente de servidores por razões técnicas, além de questões relacionadas a direitos autorais e segurança do consumidor.
“Esses argumentos não refletem como os jogos realmente funcionam e não refletem o que esses cidadãos estão pedindo”, afirmou. Para Gregorová, a necessidade de conexão permanente não deveria ser automaticamente tratada como uma barreira tecnológica impossível de superar.
“Não é tecnologia. É uma decisão de negócio”
Um dos momentos mais contundentes do discurso aconteceu quando Gregorová citou Counter-Strike e Minecraft como exemplos de jogos que continuam funcionando graças às comunidades e aos servidores mantidos pelos próprios jogadores. “Os jogadores mantiveram Counter-Strike e Minecraft funcionando em seus próprios servidores por mais de uma década”, declarou.
A partir desses exemplos, a deputada argumentou que o principal obstáculo para preservar determinados jogos não seria necessariamente técnico. “A única coisa que está entre um jogo pago e sua destruição não é tecnologia. É uma decisão de negócio”, afirmou Gregorová.
A declaração resume a principal posição defendida pela iniciativa: empresas podem decidir encerrar o suporte oficial de um jogo, mas isso não deveria necessariamente lhes dar o poder de tornar o produto completamente inutilizável para quem já pagou por ele.
“Se comprar não é possuir, então piratear não é roubo”
No encerramento de sua fala, Gregorová levou a discussão para uma questão mais ampla sobre propriedade e produtos digitais. “Se a Comissão realmente acredita nesses argumentos, então comprar não é possuir, e piratear não é roubo”, declarou. A deputada utilizou a afirmação como uma provocação para questionar a lógica de considerar uma compra legítima enquanto, ao mesmo tempo, permitir que a empresa responsável pelo produto possa posteriormente torná-lo inutilizável.
O discurso reforça a posição dos apoiadores da Stop Killing Games, que defendem que o debate não deveria ser sobre obrigar empresas a fornecer suporte eterno, mas sobre estabelecer limites para o que pode acontecer com produtos digitais depois que eles são vendidos.