Damon Lindelof critica obsessão por fidelidade em adaptações: “Já deveríamos ter superado essa conversa”

Roteirista de Lanternas defende liberdade criativa para transformar histórias de quadrinhos, livros e jogos em novas obras.

Damon Lindelof, roteirista veterano de Lost, The Leftovers, Watchmen e da nova série Lanternas, deu sua opinião mais direta até agora sobre um debate que não para de aparecer toda vez que uma nova adaptação chega às telas: a de que obras derivadas de material original devem seguir à risca o que já existe nos quadrinhos, livros ou jogos.

Em entrevista ao The Hollywood Reporter, Lindelof foi categórico. “Todos nós precisamos reconhecer que há um certo nível de arrogância envolvido em pegar qualquer IP preexistente. Mas o nome disso é adaptação. O material de origem deve mudar e evoluir, por definição”, disse o roteirista. Ele foi além: “Como consumidor e como alguém que faz esse tipo de coisa, há quase uma responsabilidade de correr riscos. Não acho que alguém queira ver você ser completamente fiel ao material de origem, porque aí não seria uma adaptação. Já deveríamos ter superado essa conversa.”

A declaração vem no contexto de Lanternas, série que já está no ar na HBO e na HBO Max e que representa uma leitura mais sóbria e densa dos quadrinhos do Lanterna Verde da DC, mantendo alguns elementos cósmicos da mitologia, mas operando com um tom muito mais próximo de um thriller investigativo do que dos gibis de origem.

Um histórico de apostas fora do convencional

Quem acompanha o trabalho de Lindelof ao longo dos anos sabe que essa é sua postura padrão. As temporadas 2 e 3 de The Leftovers, sua série existencial baseada no romance homônimo de Tom Perrotta, foram além do que o livro narrava, expandindo o universo sem uma âncora literária para seguir. O mesmo aconteceu com a minissérie Watchmen da HBO, que ele definiu como uma espécie de sequência do trabalho original de Alan Moore e Dave Gibbons, ambientada mais de três décadas após os eventos da seminal história em quadrinhos dos anos 80.

Para Lindelof, a questão nunca foi agradar ou desagradar fãs. “Ninguém que faz o que fazemos vai dormir pensando: ‘Tudo o que me importa é se eu irritei os fãs'”, afirmou. “Eles vão dormir pensando: ‘Fiz algo que valeu a pena criativamente? Coloquei algo autenticamente emocional nessa história com que as pessoas possam se identificar?'” É um posicionamento que coloca o valor criativo acima da proteção do cânone.

Enquanto isso, Lanternas continua sendo exibido na HB Max, com novos episódios todo domingo.

Fonte: GamesRadar

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