O protagonista masculino de Blue Reflection Sun gerou uma onda de críticas quando o jogo foi anunciado, com muitos fãs acusando a produção de quebrar a tradição da série de contar apenas com personagens femininas. Agora, o designer e supervisor de personagens Mel Kishida veio a público, por meio de sua conta no X, explicar a origem dessa decisão e o motivo não é questão criativa: falta de dinheiro.
Kishida revelou que, durante o desenvolvimento do primeiro Blue Reflection, o orçamento disponível permitia criar apenas modelos femininos. Isso nunca foi uma escolha artística ou uma declaração sobre a identidade da franquia; era simplesmente o que o dinheiro permitia. A vontade da equipe, segundo o próprio designer, sempre foi criar um RPG com personagens tanto masculinos quanto femininos. Quando a oportunidade de desenvolver Sun surgiu, esse desejo represado finalmente encontrou espaço.
“Independentemente do resultado ser bom ou ruim, em Blue Reflection [original] só conseguimos criar modelos femininos por limitações de orçamento, então o ponto de partida de Sun era fazer um RPG de verdade, com homens e mulheres. E assim escolhemos a estrutura de um protagonista masculino, como em um jogo de bishojo”, escreveu Kishida.
Uma questão de ordem e de timing
O designer também tocou em um ponto que considera fundamental para entender todo o mal-estar gerado: a ordem de lançamento dos jogos da série. Blue Reflection Sun foi concebido logo após o término do desenvolvimento do primeiro título, mas por “diversas circunstâncias” acabou sendo lançado por último, em 2023. Nesse intervalo, o anime Blue Reflection Ray e Blue Reflection: Second Light foram lançados antes e consolidaram junto ao público a ideia de que a série tinha um universo exclusivamente feminino.
“O anime Ray e Second Light solidificaram a visão de mundo ‘só garotas’ da série, então me sinto muito mal que Sun, que deveria ter saído logo após o Blue Reflection original, tenha acabado saindo por último por diversas circunstâncias e assim fez todos pensarem ‘Hã, o que é isso?’. A ordem realmente importa”, escreveu Kishida. Em outras palavras, se Sun tivesse chegado ao mercado no momento planejado, antes que a série construísse sua reputação de elenco exclusivamente feminino, a reação provavelmente teria sido bem diferente.
O jogo não conseguiu se sustentar: o serviço foi encerrado em 2024 sem que Sun chegasse sequer a ser lançado fora do Japão. Agora, com a chegada do Blue Reflection Quartet, uma compilação que reúne versões revisadas das quatro entradas da série, incluindo uma versão jogável do anime Ray, além de conteúdo adicional e melhorias de qualidade de vida, será interessante ver como Sun se encaixa na narrativa geral da franquia dentro de um pacote definitivo.
Fonte: Automaton Media