George Lucas, criador de Star Wars, está de volta com declarações bem diretas sobre os rumos da indústria cinematográfica. Em entrevista ao portal A Rabbit’s Foot, o lendário diretor criticou a prática cada vez mais comum dos grandes estúdios de pautar decisões criativas pela opinião dos fãs, em vez de confiar na visão dos próprios cineastas.
“Eu não gosto disso”, disse Lucas. “A audiência não sabe o que quer ver. Se eles não gostam de um personagem, isso é interessante, e como cineasta eu quero entender o porquê. Mas quando os estúdios ouvem isso, eles tiram a conclusão errada.”
Para ele, o problema vai além de uma simples consulta ao público. O criador de Star Wars enxerga uma transferência real do controle criativo para as mãos da audiência, algo que considera fundamentalmente equivocado. “Eles deixam a audiência fazer o filme. É claro que agora ficaram loucos com isso. Agora, é tudo sobre o que os fãs pensam. Não é assim que se faz um filme. Você faz um filme encontrando alguém que sabe como fazê-los, que tem uma história para contar e que é apaixonado por isso”, afirmou.
Arte como emoção, não como aprovação
Mesmo vivendo numa indústria cada vez mais orientada por bilheterias e pelo placar do Rotten Tomatoes, Lucas reforçou o valor da arte pelo que ela representa em sua essência. “Você vai ao cinema porque as histórias te movem emocionalmente”, disse. “Arte é um meio emocional.”
Para embasar o argumento, ele recorreu à própria história. Durante a produção da primeira trilogia de Star Wars, no fim dos anos 70, o diretor foi alvo de críticas que, se tivesse ouvido, teriam alterado para sempre o universo que construiu. “Os críticos e os fãs que tinham 10 anos quando viram o primeiro e 13 quando viram o segundo reclamavam que não queriam ver um filme infantil”, relembrou. “Ah, que terrível. Jar Jar Binks é terrível!… Todo mundo dizia a mesma coisa sobre R2-D2 e C-3PO. No começo, houve uma pressão enorme para eu me livrar do C-3PO, e então no terceiro [Return of the Jedi], as pessoas disseram a mesma coisa sobre os Ewoks.”
A exceção: velhos amigos com credencial
“Sou um homem teimoso”, admitiu sem rodeios, mas Lucas faz uma exceção importante quando o assunto é crítica construtiva. Para ele, a fonte importa tanto quanto o conteúdo da opinião, e há um grupo seleto de pessoas cujo julgamento ele genuinamente considera.
“Eu tinha um grupo de amigos com quem estudei: Marty Scorsese, Francis [Ford Coppola], Steven [Spielberg]. Fomos todos estudantes ao mesmo tempo e nos conhecemos muito bem”, contou. “Quando mostro um filme para eles e eles fazem comentários, eu sei de onde estão vindo.”
Fonte: GamesRadar