O relançamento de Final Fantasy 14 como A Realm Reborn é amplamente considerado uma das maiores viradas da história dos games e agora esse feito ganhou mais um defensor. Guillaume Broche, diretor criativo de Clair Obscur: Expedition 33, declarou publicamente que a Square Enix protagonizou “a melhor coisa na história dos videogames quando se trata de relançar um jogo.”
A declaração foi feita em um novo episódio do Video Game Club. Logo no início, Broche contextualiza o peso da afirmação ao colocar o MMO em perspectiva pessoal: Final Fantasy 14 está, segundo ele, “entre os três jogos que mais joguei na minha vida.”
O desastre que precedeu a lenda
Para quem não acompanhou o caso à época, Broche resume a trajetória com precisão: “Basicamente, eles lançaram uma primeira versão, e foi um desastre. Todo mundo estava jogando e era terrível.” A versão original de Final Fantasy 14, lançada em 2010, foi recebida com críticas devastadoras, desempenho técnico ruim, sistemas confusos e uma estrutura que afastou tanto a imprensa quanto os jogadores.
O que veio a seguir, porém, entrou para a indústria. “O que eles fizeram foi, depois de um ano, lançar uma cutscene in-game mostrando o fim do mundo. Uma cutscene de oito minutos com Bahamut chegando e explodindo o mundo”, lembra Broche. A cena se tornou um evento coletivo: o chat público do jogo foi tomado por contagens regressivas e uma agitação que raramente se vê em qualquer mídia. Broche reforça que “todo mundo tinha visto aquela cutscene“, inclusive pessoas que nunca tinham tocado no jogo, que passaram a se perguntar: “O que está acontecendo na Square Enix?”
A reconstrução que parecia impossível
Sob o comando do diretor Naoki “Yoshi-P” Yoshida, o MMO foi literalmente reconstruído do zero e relançado como A Realm Reborn. O resultado foi um sucesso estrondoso que persiste até hoje. “Eles relançaram um ano depois. Remodelaram tudo, relançaram o jogo, e foi verdadeiramente excepcional. Por isso ainda é um grande sucesso hoje”, avalia Broche.
O diretor de Clair Obscur não esconde o espanto diante da façanha técnica e gerencial: “Reconstruir um MMO em um ano, eu não sei como eles fizeram. É impossível. Fazer isso e, depois de um ano, relançá-lo e fazer funcionar. Acho que é bom demais para ser verdade.”
Elogios à música, aos chefes e até ao Lalafell
Broche não poupou elogios ao estado atual do jogo, destacando que a Square Enix costuma assumir “mais riscos criativos“. Para ele, “o jogo é excepcional. Ainda tem suas expansões, e ainda há uma comunidade super ativa.” Entre os elementos que mais o marcaram, ele cita especificamente a trilha sonora, com destaque nominal para o compositor Masayoshi Soken, e os chefes do game. Broche também admitiu, com certa dose de vergonha assumida, que jogou como um Lalafell, a raça de personagens mais baixinhos e fofinhos do game.
O MMO segue em plena atividade. A próxima grande expansão, chamada Evercold, já está em desenvolvimento e promete dar continuidade à saga dos Guerreiros da Luz.
Fonte: GamesRadar