Christopher Nolan é conhecido por finais que geram debate por anos, de Inception ao giro do pião, de The Dark Knight Rises à sobrevivência de Batman. O que muitos fãs não sabem é que existe uma razão muito específica para o diretor nunca ter voltado a opinar sobre suas próprias conclusões. A explicação ele mesmo deu durante entrevista com Jon Stewart no programa The Daily Show.
“A primeira vez que realmente levamos um filme para o público e fizemos várias entrevistas sobre ele foi com Memento”, relembrou Nolan. “É um filme que escrevi baseado em um conto que meu irmão [Jonathan Nolan] havia escrito. Ele veio conosco ao Festival de Cinema de Veneza… Logo depois, me fizeram várias perguntas, inclusive sobre a ambiguidade do [final].”
O que aconteceu depois virou uma lição que Christopher Nolan nunca esqueceu. Ao ser questionado sobre a interpretação do desfecho, ele respondeu que a intenção era deixar em aberto para o público, mas acabou acrescentando sua própria leitura do que havia acontecido. Foi o suficiente para que seu irmão interviesse.
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“Eu disse: ‘Bem, a decisão é sua, mas acho que é isso e aquilo.’ [Meu irmão] me chamou de lado e disse: ‘Ninguém ouviu a primeira parte… eles só ouvem o que você diz. Sua interpretação é mais importante que tudo. Você nunca mais poderá fazer isso.’ E ele estava certo, e nunca mais consegui desde então.”
Memento (Amnésia no Brasil), um dos primeiros grandes marcos na carreira de Christopher Nolan rumo ao topo de Hollywood, acompanha Leonard, personagem de Guy Pearce, um homem com amnesia que tenta desvendar o assassinato de sua esposa.
O filme brinca com a estrutura temporal, apresentando duas linhas narrativas simultâneas, uma avançando cronologicamente, outra de trás para frente. A revelação final sobre a esposa e o assassino lança dúvidas sobre as próprias intenções de Leonard ao longo de toda a história.
É exatamente esse tipo de ambiguidade calculada que Nolan cultiva com cuidado. Ao se recusar a dar a palavra final sobre o que acontece em seus filmes, ele preserva a experiência do espectador e garante que nenhuma interpretação oficial apague as leituras individuais de cada um, algo que, segundo ele mesmo, quase escorregou em Veneza.
O próximo trabalho de Christopher Nolan é The Odyssey, adaptação do épico de Homero com estreia prevista para 17 de julho.
Fonte: GamesRadar
