Virtua Fighter Crossroads é apresentado pela Ryu Ga Gotoku como um “jogo de luta narrativo e cinematográfico“. Em uma mesa-redonda realizada durante o Summer Game Fest, o produtor Riichiro Yamada e o chefe de IP Toshihiro Nakaya detalharam a abordagem que o estúdio está adotando para o projeto, e o que está sendo proposto é tão ambicioso quanto arriscado.
Construindo a lore do zero
A equipe não esconde que a franquia Virtua Fighter nunca foi referência quando o assunto é narrativa. “Virtua Fighter tem lore e ambientação, mas você não consegue encontrar isso dentro do jogo; é difícil de extrair“, admitiu Yamada. “Tínhamos duas escolhas: abandonar a lore antiga ou adaptá-la em algo novo. Então, o conceito de Crossroads é pegar o que a RGG faz de melhor, contar histórias, e o que Virtua Fighter faz de melhor, a jogabilidade de luta, e misturar os dois em algo novo e único.”
O jogo se passa uma década após os eventos de Virtua Fighter 5. O consórcio maligno Judgment 6 não existe mais, não há torneio mundial para os lutadores disputarem e o Projeto Dural — aquele que roubava dados de combate para construir super-armas androides — ficou para trás. A história acompanha quatro novos protagonistas na franquia, embora apenas dois tenham sido apresentados até agora: Cielo, um lutador de MMA amplamente destacado nos trailers, e Stella Bridge, uma kickboxer que tem uma semelhança marcante com a veterana Sarah Bryant. Os outros dois protagonistas serão revelados antes do lançamento.
Bem-vindo a Vilasapara
O jogo se passa em Vilasapara, uma região fictícia inspirada no Sudeste Asiático. No local, armas de fogo são proibidas, e os conflitos são resolvidos no braço, literalmente. O crime organizado exerce forte influência sobre o território, tornando-o um ambiente perigoso mesmo sem a presença de pistolas.
Para garantir autenticidade ao cenário, o diretor de arte Ryo Shibasaki afirmou que a equipe foi “muito diligente no uso de referências do mundo real“, como geografia e clima, ao “dar vida a Vilasapara“. O resultado não é um mundo aberto convencional, mas o que os desenvolvedores chamam de um “mundo semi-aberto sandbox“, no estilo que a própria RGG já consolidou em outros títulos. A diferença desta vez está em como o conteúdo opcional interfere diretamente no desenrolar da história.
“Temos muito conteúdo secundário, como missões paralelas, o que não é novidade para a RGG, mas desta vez queríamos realmente enraizar esses minigames neste mundo”, explicou Yamada. “Eles não são tão diferentes dos outros, mas realmente se encaixam neste momento, e suas escolhas nessas missões realmente importam em termos de como a história se desenvolve.”
Um spin-off filosófico de Like a Dragon
Sob uma certa perspectiva, Virtua Fighter Crossroads funciona como um “spin-off filosófico” da franquia Like a Dragon. O mundo é completamente diferente, assim como o elenco, mas a prioridade dada à narrativa como elemento central do design ecoa diretamente o DNA da série principal da RGG. A equipe está ciente de que isso pode gerar desconforto entre os fãs históricos de Virtua Fighter, e trabalha ativamente para desfazer essa impressão.
“Eu não fazia ideia de como as pessoas iriam reagir, e realmente não queria que as pessoas pensassem que é só ‘RGG fazendo Virtua Fighter’; quero que ele seja algo independente”, disse Yamada. “Quando você vê o trailer curto, pode pensar que é só mais um jogo da RGG, mas acreditamos que no Showcase nós realmente mostramos o que torna isso Virtua Fighter, e o que ele faz de diferente em relação aos nossos outros jogos.”
No fim das contas, o produtor aposta que o jogo vai se sustentar pelo que entrega na tela: “Para mim, não importa muito em qual gênero ele se encaixa; o que importa é a experiência. Alguém pega, joga e curte porque é um ótimo jogo e fácil de entrar. Esse é o desafio que queremos superar.”
Fonte: Kotaku