A Micron anunciou uma nova estratégia para proteger sua rentabilidade diante da crescente demanda por chips de memória. A empresa firmou contratos de longo prazo com grandes clientes que, na prática, estabelecem uma faixa de preços para seus produtos até o fim da década.
Durante a apresentação dos resultados do terceiro trimestre fiscal, o CEO Sanjay Mehrotra revelou que a companhia assinou 16 contratos estratégicos, com a maioria deles tendo validade entre 2026 e 2030 e prevê que os clientes se comprometam a adquirir volumes pré-definidos de chips dentro de uma faixa de preços previamente estabelecida, com valores mínimos e máximos.
Segundo Mehrotra, o preço mínimo assegurado nesses contratos garante margens brutas superiores às registradas pela Micron nos melhores trimestres de ciclos anteriores. Já o teto de preços protege os clientes caso o mercado sofra novas disparadas nos valores dos chips.
Micron locks in historically high memory prices for 5 years
The company has signed 16 Strategic Customer Agreements with a floor price it says includes “a very robust gross margin for Micron, well above our peak quarterly margins in any past cycle". pic.twitter.com/gbwl8mxxPK
— Shinobi602 (@shinobi602) June 25, 2026
Escassez de memória deve continuar por vários anos
A Micron acredita que seus clientes aceitaram esses contratos de longo prazo porque o mercado global de memórias continuará operando com oferta insuficiente nos próximos anos.
De acordo com Mehrotra, a produção não deve acompanhar a demanda tão cedo, mesmo com a expansão gradual da capacidade de fabricação prevista para o restante da década. Embora o setor espere alguma melhora por volta de 2028, ainda não há uma previsão clara para que a oferta seja suficiente para atender ao crescimento do mercado.
Um dos principais obstáculos é a crescente complexidade das tecnologias de memória. Construir novas fábricas tornou-se um processo cada vez mais caro e demorado, enquanto os fabricantes precisam dividir sua capacidade entre memórias HBM (High Bandwidth Memory), amplamente utilizadas em aceleradores de inteligência artificial, e produtos tradicionais como DRAM e NAND.
Por isso, a empresa acredita que o crescimento da oferta continuará limitado, apesar dos investimentos bilionários na expansão da produção.
Contratos cobrem cerca de 40% da receita
Embora tragam maior previsibilidade tanto para a Micron quanto para seus clientes, os acordos representarão aproximadamente 40% da receita total da empresa. O restante da produção continuará sendo comercializado nas condições normais de mercado, permitindo que a companhia negocie preços de acordo com a demanda.
Mehrotra também destacou que os clientes participantes desses contratos realizam pagamentos antecipados, fornecendo capital adicional para financiar a construção de novas fábricas e ampliar a capacidade produtiva.

Resultados financeiros batem novos recordes
A empresa também divulgou mais um trimestre de forte desempenho financeiro. A receita alcançou US$ 41,5 bilhões, registrando o quinto recorde trimestral consecutivo da companhia e um crescimento de 346% em relação ao mesmo período do ano anterior.
As vendas de DRAM atingiram um recorde de US$ 31,3 bilhões, alta de 343% na comparação anual, enquanto a receita com NAND cresceu 361%, chegando a US$ 9,9 bilhões. O lucro líquido foi de US$ 28,9 bilhões, e a margem bruta alcançou expressivos 84,9%.
Para o quarto trimestre fiscal, a Micron projeta um desempenho ainda mais forte, estimando receita próxima de US$ 50 bilhões e margem bruta em torno de 86%. Executivos da empresa também afirmaram que as próximas gerações de memórias serão cada vez mais caras de fabricar devido ao aumento da complexidade tecnológica.