O CEO da KADOKAWA, Takeshi Natsuno, afirmou que o excesso de estúdios e empresas no mercado de anime é um dos fatores que está tornando o setor menos lucrativo. As declarações foram feitas em 26 de abril e rapidamente ganharam repercussão na indústria japonesa de entretenimento.
Em uma transmissão pelo Niconico, Natsuno disse que o problema vai além da discussão sobre o salário dos animadores — uma pauta recorrente no setor. Para ele, o verdadeiro nó está na quantidade de pequenas produtoras que proliferaram nos últimos anos, cada uma com seu próprio presidente, diretores e equipe de vendas, mas com poucos profissionais criativos. “Enquanto focamos apenas no pagamento dos animadores, estamos sendo míopes. Existe um problema de empresas demais”, disse ele.
A visão de Natsuno é clara: o caminho seria a consolidação. Com a maioria dos estúdios sob o mesmo guarda-chuva, não haveria necessidade de tantos executivos e presidentes, o que levaria a mais dinheiro disponível na indústria.
Governo Japonês responde
A proposta de consolidação não ficou sem contestação. A ministra do LDP (atual partido do governo japonês) Kimi Onoda, cuja pasta inclui propriedade intelectual e iniciativas do Cool Japan, respondeu diretamente a Natsuno. Ela afirmou que trabalhou em uma empresa de games muito pequena e que esse tipo de ambiente é justamente o que permite que a geração mais jovem traga ideias experimentais e de ponta. Para Onoda, a força do conteúdo japonês está na sua diversidade.
Em resposta, o próprio Natsuno afirmou que as pequenas empresas ainda existiriam, mas funcionariam dentro de uma estrutura de grupo. Ele usou a própria KADOKAWA como modelo, citando que a companhia opera com 7 estúdios após a aquisição recente da Chiptune. A aliança da KADOKAWA com a Sony foi mencionada como outro exemplo de como a empresa busca fortalecer o ecossistema da indústria.
A crise interna da KADOKAWA
O que torna as declarações de Natsuno ainda mais delicadas é o cenário financeiro da própria KADOKAWA. Em seus resultados do ano fiscal de 2026, a empresa registrou “grandes quedas em vendas e lucros no segmento de Animação”. A companhia anunciou uma queda de 82,7% no lucro líquido, atribuindo parte da culpa à “dependência excessiva de fórmulas estabelecidas“, como histórias isekai, e ao aumento no número de títulos publicados sem que isso resultasse em hits consistentes.
Poucas semanas após as declarações, a situação de Natsuno se complicou ainda mais. A Oasis Management Company, maior acionista da KADOKAWA e investidora ativista, pediu para os acionistas não reelegerem Natsuno como diretor e CEO na Assembleia Geral Anual prevista para junho de 2026. A Oasis chegou a lançar um site próprio (abetterkadokawa.com) com um comunicado à imprensa e uma apresentação de 133 páginas detalhando o que considera falhas de gestão sob o comando de Natsuno.
Fonte: Anime Corner