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Studio Ghibli vive situação curiosa no Japão: filmes são mais acessíveis no Brasil do que no país de origem

O Studio Ghibli vive uma contradição difícil de ignorar: enquanto o estúdio japonês é reconhecido internacionalmente como um patrimônio cultural, as novas gerações no próprio Japão têm cada vez menos acesso às obras de Hayao Miyazaki e companhia. O motivo é simples e frustrante: não existe nenhuma plataforma de streaming no país que ofereça os filmes do estúdio.

A situação foi detalhada pelo jornalista japonês Soichiro Matsutani. Segundo ele, quem mora no Japão e quer assistir a um filme do Studio Ghibli tem basicamente duas opções: esperar que a emissora Nippon TV decida exibi-lo em algum momento, ou desembolsar dinheiro para comprar a mídia física, Blu-Ray ou DVD. Não há um terceiro caminho. Nenhum serviço de streaming local carrega o catálogo do estúdio.

Nippon TV dita o ritmo e o ritmo é lento

A Nippon TV detém o controle total sobre quando e como os filmes do Studio Ghibli chegam ao público japonês pela televisão. E esse controle é exercido com moderação: segundo Matsutani, a emissora exibe títulos do estúdio apenas de 4 a 8 vezes por ano. O resultado direto dessa escassez artificial é que cada exibição se transforma em um evento televisivo, o que garante à emissora índices de audiência altíssimos, mas priva o público de um acesso regular e orgânico às obras.

Os exemplos citados pelo jornalista são bastante ilustrativos. O Serviço de Entregas da Kiki será exibida pela televisão japonesa pela primeira vez em 4 anos neste mês de maio. Já Sussurros do Coração retorna à grade da emissora após 7 anos de ausência. Ou seja, um adolescente japonês de 14 anos pode nunca ter tido a chance de assistir a Sussurros do Coração pela TV desde que tinha 7 anos de idade e só teria acesso ao filme se os pais tivessem o DVD em casa ou dinheiro para comprá-lo.

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Miyazaki na frente, os outros ficam para trás

O problema se aprofunda quando se olha para o catálogo além de Hayao Miyazaki. De acordo com Matsutani, é ainda mais difícil encontrar filmes do Studio Ghibli na grade da Nippon TV que não tragam a assinatura do diretor, ou seja, obras de nomes como Isao Takahata e Hiromasa Yonebayashi ficam em segundo plano porque não entregam os mesmos índices de audiência que os títulos de Miyazaki. A lógica comercial da emissora acaba funcionando como um filtro que estreita ainda mais o acesso ao repertório completo do estúdio.

A ironia máxima do cenário é que, enquanto no Japão os filmes ficam trancados atrás de uma grade televisiva rígida ou do formato físico pago, no restante do mundo o acesso é amplo e imediato. No Brasil, por exemplo, todo o catálogo do Studio Ghibli está disponível na Netflix. Um espectador em São Paulo tem mais facilidade para assistir a Meu Vizinho Totoro por meios legais do que um jovem em Tóquio.

As consequências de longo prazo desse modelo são preocupantes. Uma geração inteira de crianças e adolescentes japoneses cresce sem contato regular com filmes que são considerados parte da identidade cultural do país, não por falta de interesse, mas por falta de acesso. E sem esse contato, o legado do Studio Ghibli corre o risco de se tornar algo mais celebrado fora do Japão do que dentro dele.

Fonte: Areajugones

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Publicado por:
Vinicius Silva Dias

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