Um grupo de jogadores e ativistas levou o protesto contra a venda da Electronic Arts para a porta da sede da empresa em Redwood City, na Califórnia. No dia 11 de maio, membros da organização Players Alliance, um coletivo que combate o que chamam de ganância corporativa na indústria de games, e fãs engajados se reuniram em frente ao campus da EA para entregar um manifesto impresso com mais de 70 mil assinaturas contrárias à aquisição bilionária pela Arábia Saudita e ao atual estado da empresa. A ação foi transmitida ao vivo pelo canal do streamer SlayerKase na Twitch.
O evento foi organizado semanas antes, com os organizadores enviando comunicados prévios à imprensa para anunciarem o que chamaram de uma “raid” na sede da companhia. Na prática, a manifestação foi um ato ordeiro, com cartazes, fantasias e um pergaminho gigante estampado com as assinaturas coletadas na petição. Os participantes não causaram qualquer tipo de incidente, mantendo-se atrás das barreiras metálicas monitoradas pela segurança da EA.
Os manifestantes elencaram três preocupações centrais: as demissões recentes promovidas pela EA, a proliferação de microtransações nos jogos da publisher e, principalmente, a aquisição avaliada em US$ 55 bilhões pelo governo saudita, prevista para ser concluída ainda neste verão americano. O negócio, anunciado em setembro do ano passado, envolve também o grupo de private equity de Jared Kushner, genro de Donald Trump, como parte do consórcio comprador.
Fãs apareceram fantasiados com os icônicos plumbobs verdes de The Sims e seguravam cartazes com frases como “devs & players acima de investidores” e “sem DLC para os corporativos gananciosos”.
Entre os adereços, recortes com os rostos do CEO da EA, Andrew Wilson, de Jared Kushner e do primeiro-ministro saudita Mohammed bin Salman, cada um com barras de vida em formato de coração acima de suas cabeças, caracterizando-os visualmente como chefões de fase.
SlayerKase, que comandou a transmissão ao vivo, fez um discurso que resumiu o sentimento do grupo diante da sede da empresa.
“Aqui estamos nós, no que já foi uma grande empresa americana. EA, cara. Eles começaram e se chamaram de Electronic Artists. Eles não queriam fazer máquinas de dinheiro. Não, dane-se isso! Eles queriam fazer arte. Colocaram isso no nome deles. Arte. Os Artistas Eletrônicos porque queriam criar algo para fazer as pessoas sentirem alguma coisa. E isso não exatamente saiu como planejado, não é? Você acha que está rodeado de artistas agora? Não. Isso parece um estúdio pra você? Não. É só mais um negócio. Só mais um lugar tentando transformar o que você ama em dinheiro.”
Fonte: Kotaku
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