Ken Levine, co-diretor de BioShock e diretor único de BioShock Infinite, abriu o jogo sobre os bastidores emocionais e criativos que o levaram a se afastar da franquia que o consagrou. Em uma conversa retrospectiva com o IGN, o desenvolvedor explicou que o distanciamento não veio de desamor pela série, mas de um cuidado quase filosófico: para ele, franquias podem “te possuir” caso você as segure com força demais.
“Tive a enorme sorte de ter uma franquia que as pessoas se importavam”, disse Levine. “É muito importante para mim. Tenho um Big Daddy gigante na minha sala, tenho brinquedos e coisas espalhadas. É muito importante para mim, mas eu não tinha mais muita coisa a dizer naquele universo.”
A entrevista surgiu num contexto relevante: com o fechamento da Irrational Games e o desenvolvimento de BioShock 4 agora nas mãos de outras equipes, era natural que a conversa tocasse no peso de deixar uma herança tão consolidada para trás. E Levine foi direto ao ponto sobre o risco de deixar uma IP bem-sucedida te definir por completo.
“Uma franquia é algo interessante porque ela pode acabar te possuindo se você não tomar cuidado. Ela pode te definir. Foi assustador, arriscado e meio que uma loucura abandonar uma franquia de tanto sucesso. Não fiz isso porque não amava a franquia. Fiz porque não queria simplesmente fazer algo novo e chamá-lo de [BioShock] porque isso seria mais seguro. Queria me afastar e me desafiar de uma forma diferente, e desafiar o time de uma forma diferente”, afirmou o diretor.
Para Levine, definir a essência da série é mais complicado do que parece. Segundo ele, ser um FPS com algum grau de história alternativa faz parte do DNA da franquia — mas há algo que escapa a qualquer definição precisa. “Mesmo que você me peça para definir o que é um jogo BioShock, eu não saberia te dizer exatamente”, confessou.
Judas e o novo desafio
Levine segue hoje à frente de Judas, seu próximo projeto, e foi igualmente transparente sobre o peso psicológico da aposta. “As coisas podem te possuir se você as segurar com força demais, em vez de o contrário. Certamente, há muito do nosso legado no DNA de Judas. Mas as pessoas também vão se surpreender com o quão diferente ele é. Eu me preocupei que isso acabaria sendo o resto da minha vida. E talvez eu olhe para trás e pense: foi a coisa mais idiota que já fiz… Mas tenho a sorte de já ter conquistado sucesso suficiente para que dinheiro não seja a coisa mais importante.”
“Me desafiar e ir trabalhar com pessoas brilhantes em problemas difíceis é o que realmente me move pela manhã. Por isso quis um novo problema difícil — e consegui um”, completou o diretor.
Fonte: PC Gamer