Elias Toufexis, o ator conhecido por dar voz e rosto a Adam Jensen na franquia Deus Ex e atualmente emprestando sua voz para Marathon, da Bungie, usou uma entrevista com o portal PC Gamer para criticar uma prática cada vez mais comum nas redes sociais: torcer pelo fracasso de jogos antes mesmo de eles chegarem ao mercado.
A conversa aconteceu durante a GDC e Toufexis foi direto ao ponto. Segundo ele, na véspera da entrevista, precisou pedir para a equipe do projeto que o impedisse de continuar respondendo posts no X. “Eu estava trabalhando em Marathon ontem, e fiquei tipo: ‘Pessoal, me falem para parar de interagir no X’, porque eu fico interagindo e realmente não deveria“, disse o ator.
O estopim da frustração foi um comentário específico que ele viu circulando. “Vi um cara que estava tipo, não quero entrar em nada específico, mas ele disse: ‘Espero que a Bungie feche as portas por causa da ideologia woke de esquerda.’ E eu pensei: ‘Estou trabalhando com quatro homens brancos e duas mulheres brancas. Não entendo isso. Onde você está tirando isso?'”, relatou.
Para Toufexis, críticas ao seu trabalho ou aos jogos em que atua são completamente válidas e bem-vindas. O problema, segundo ele, está em contas dedicadas a espalhar indignação por horas a fio, sem nenhum argumento concreto. “Criticar o jogo? Criticar o meu trabalho? Totalmente aceitável. Mas tem gente que vai ao X e posta memes: ‘Isso é Concord 2, isso é Concord 2.’ Por que você passa horas fazendo isso? Como você torce para algo fracassar?“, questionou.
O ator ainda contextualizou o pivô da Bungie de Destiny 2 para Marathon, reconhecendo que parte da raiva tem uma base compreensível. “Entendo que a Bungie fez um jogo, Destiny 2, que as pessoas amaram, e depois elas foram tipo: ‘Vamos colocar isso de lado e trabalhar em Marathon.’ As pessoas ficaram chateadas com isso. Legal, não jogue Marathon. Tudo bem, fale com a sua carteira, isso é justo“, ponderou. O que ele não aceita é torcer pelo fracasso do projeto.
Toufexis reconheceu que esse tipo de reação não é novidade para ele. O mesmo padrão se repetiu em trabalhos anteriores, como Starfield e Star Trek: Discovery, ambos alvos de críticas de cunho político por uma suposta agenda “woke”. Para o ator, no caso de Star Trek o argumento não é apenas chato, mas quase cômico, afirmando que a franquia é notoriamente política desde a sua estreia, décadas atrás. “As pessoas só querem odiar. Eu realmente não entendo. É triste demais”, afirmou.
Apesar do tom de desabafo, o ator terminou a entrevista com uma nota de otimismo. Ele disse ter notado uma mudança de comportamento nos comentários. “Costumava ser tipo nove de cada dez [comentários de] ódio. Agora são nove de cada dez positivos. Um cara com ódio, e todas as respostas são tipo: ‘Cala a boca, cala a boca, cala a boca.’ Então isso é bom, e espero que continue“, concluiu.
Fonte: PC Gamer
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