Um debate no Parlamento Europeu sobre a iniciativa Stop Killing Games saiu dos trilhos quando o deputado eslovaco Milan Uhrik usou a tribuna para declarar que Assassin’s Creed Shadows e a chamada “cultura woke” são as verdadeiras responsáveis pela destruição da indústria de videogames, relegando ao segundo plano as práticas abusivas de monetização que motivaram o debate inteiro.
O que era para ser sobre preservação de jogos virou outra coisa
O objetivo central da iniciativa Stop Killing Games é pressionar pela criação de regulamentações que impeçam publishers de tornar jogos completamente inutilizáveis após o encerramento de servidores, uma prática que afeta títulos que os consumidores pagaram para ter.
A maior parte dos parlamentares que subiram ao microfone demonstrou apoio ou ao menos simpatia pela causa. O deputado polonês Piotr Müller declarou apoiar a iniciativa, mas fez um alerta: “precisamos ser cautelosos para não regular demais o mercado. O mercado de jogos na Europa ainda precisa se desenvolver para que o setor europeu continue crescendo.”
Mas foi Milan Uhrik, deputado eslovaco e líder do partido de direita Movimento Republicano, quem desviou definitivamente o foco da discussão. Subindo ao pódio com, Uhrik abriu o microfone e disparou:
“A ‘cultura woke’ e a monetização agressiva estão destruindo os videogames! Uma coisa que definitivamente está destruindo os videogames é a ideologia louca e ‘woke’ e o politicamente correta que está sendo forçada nos jogos. Por exemplo, se queremos jogar como um samurai, obviamente queremos jogar como um guerreiro japonês, e não ser forçados a jogar como um guerreiro negro ou uma mulher, como aconteceu recentemente em Assassin’s Creed. Ou jogar como um personagem queer, sem qualquer outra escolha. Isso é um problema, realmente, para os jogadores.”
Quase como um adendo ao próprio discurso, Uhrik chegou a tocar na questão original do debate, mencionando que as “microtransações intermináveis, o insano pay-to-win e até loot boxes de jogo de azar, como cassinos”, e concluiu que “essas práticas precisam ser paradas, assim como a prática de uma empresa desligar o servidor de um jogo logo após você comprar seu jogo favorito.”
O diretor-geral da iniciativa Stop Killing Games, Moritz Katzner, foi diplomático ao comentar a participação do deputado: disse que Uhrik “foi de apoio em tom, mas na minha visão perdeu um pouco o ponto”. Outros presentes foram menos delicados na avaliação.
Fonte: PC Gamer