Devil May Cry
Adi Shankar acredita que o futuro das adaptações de videogames depende menos da supervisão corporativa e mais de dar liberdade para criadores com uma visão pessoal forte. Enquanto cresce a expectativa em torno da futura adaptação de Bloodborne produzida pela Sony, Shankar comentou por que algumas adaptações de jogos conseguem conquistar o público enquanto outras falham em deixar impacto.
Shankar se tornou um dos nomes mais reconhecidos no espaço de animações baseadas em videogames nos últimos anos. Após o sucesso de Castlevania na Netflix, ele continuou explorando histórias inspiradas em jogos com projetos como Captain Laserhawk: A Blood Dragon Remix e, mais recentemente, Devil May Cry.
Falando sobre o recente crescimento das adaptações de videogames, Shankar disse que tem sido interessante observar a indústria começar a enxergar os games como um meio narrativo digno de adaptações.
“É legal ver que aquela ‘ilha’ das adaptações de videogame onde eu meio que estava… agora é como se navios estivessem surgindo e dizendo: ‘Ah, eu gosto dessa ilha’”, afirmou Shankar. “É uma experiência interessante.”
No entanto, Shankar destacou que adaptações funcionam melhor quando os criadores têm espaço para reinterpretar o material original, em vez de ficarem limitados pela supervisão corporativa. “Tudo o que eu faço é guiado pela visão de criador”, explicou. “Claro, é Devil May Cry, mas ainda assim é muito a minha versão de Devil May Cry.”
Segundo Shankar, muitas franquias de games acabam perdendo parte da identidade criativa quando passam a ser fortemente gerenciadas por corporações e executivos de marca após a saída dos desenvolvedores originais.
O conselho de Shankar para empresas que adaptam videogames foi direto: “Apenas entreguem para os criadores, entreguem para os criativos, e vocês terão algo interessante.”
Essa filosofia se encaixa especialmente na recém-anunciada adaptação de Bloodborne pela Sony, que chamou atenção pela participação de Seán McLoughlin, mais conhecido na internet como Jacksepticeye. McLoughlin, fã de longa data de Bloodborne, está envolvido no projeto como produtor e já afirmou publicamente que pretende respeitar o material original.
Shankar descreveu o envolvimento de McLoughlin como “um passo na direção certa”, mas também questionou quanto poder criativo o youtuber realmente terá nos bastidores. “A verdadeira pergunta é: quanto controle o Seán realmente vai receber? Ou isso é só uma jogada de marketing?”, comentou Shankar.
Ele também sugeriu que existe o risco de estúdios utilizarem influenciadores mais pela publicidade do que por colaboração criativa genuína. “O meu lado cínico pensa: ‘Isso é apenas uma tentativa de capitalizar em cima desse ecossistema crescente’”, acrescentou.
Apesar das preocupações, Shankar afirmou torcer pelo sucesso da adaptação de Bloodborne e acredita que fãs apaixonados deveriam ter um papel maior na construção de adaptações de games daqui para frente.
Fonte: GameSpot
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