Criadora de Gachiakuta critica cultura de pirataria de mangás fora do Japão

Mangaká afirma que acesso gratuito reduz o valor das obras e reacende discussão sobre consumo ilegal entre fãs internacionais.

Kei Urana, mangaká e criadora da série de fantasia distópica Gachiakuta, viralizou nos últimos dias após publicar um desabafo no X contra a pirataria de mangás. O posicionamento veio em resposta a um debate que ganhou força nas redes sociais, no qual fãs de fora do Japão argumentavam que ler mangá em sites piratas não prejudica a indústria e que, em alguns casos, até ajudaria a aumentar as vendas e a expor títulos a novos leitores.

Urana afirmou ter passado dias pesquisando o tema antes de se pronunciar. “Passei os últimos dias pesquisando as circunstâncias em diferentes países, incluindo situações financeiras. Entendo que, para muitas pessoas, os sites piratas são a única forma de ler mangá. Também entendo que os preços podem ser mais altos no exterior”, escreveu a artista. Ainda assim, ela foi direta ao rechaçar o argumento central dos defensores da pirataria.

“Já vi pessoas dizerem: ‘Ler de graça não prejudica as vendas.’ Isso não é verdade. O ‘gratuito’ desvaloriza as coisas. Quando as pessoas se acostumam a obter algo de graça, elas param de buscar as versões legítimas”, afirmou Urana. A fala tocou num ponto sensível do mercado editorial japonês: a percepção de que a normalização do acesso gratuito corrói, de forma gradual, o ecossistema que sustenta tanto os criadores quanto as editoras.

Mesmo reconhecendo que fãs dedicados continuam apoiando os lançamentos oficiais, Urana foi além da questão financeira pessoal ao falar sobre o impacto coletivo na indústria. “Nos dedicamos a criar para que os leitores possam aproveitar o nosso trabalho. A remuneração importa, claro, mas mais do que qualquer coisa, não quero ver o valor do [mangá] diminuído”, completou a mangaká.

Como já era esperado, as falas da autora geraram polarização nas redes sociais, com parte do público concordando com o argumento da desvalorização e outra parcela reforçando as barreiras de acesso como justificativa para a pirataria.

Fonte: Dexerto

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