MindsEye
O estúdio Build a Rocket Boy, responsável por MindsEye, está no centro de um escândalo trabalhista que envolve o uso do software de monitoramento Teramind instalado nos dispositivos dos funcionários sem o conhecimento deles. A denúncia, encampada pelo sindicato IWGB (Independent Workers’ Union of Great Britain), já resultou em procedimentos legais abertos contra a empresa e pode custar milhões ao estúdio.
Tudo começou em março, quando 40 trabalhadores assinaram uma carta coletiva em resposta às declarações do co-CEO Mark Gerhard. Segundo os funcionários, Gerhard teria acusado a agência de gestão de criadores do YouTube e TikTok Ritual Network de ter “sabotado” o MindsEye. Em paralelo, a liderança do estúdio anunciou a instalação de um “software de segurança cibernética aprimorado” nos dispositivos corporativos, que se revelou ser o Teramind, uma ferramenta de vigilância e monitoramento de produtividade.
Conforme o comunicado do IWGB: “Os trabalhadores do estúdio de jogos Build a Rocket Boy iniciaram procedimentos legais contra a empresa por temores de violações de proteção de dados, após a liderança ter instalado, sem o conhecimento deles, o software de vigilância Teramind em seus dispositivos.”
Após a repercussão do protesto, o estúdio removeu o Teramind das máquinas. Mesmo assim, o sindicato deixa claro que a questão está longe de estar resolvida. A empresa se recusou a explicar quais dados foram coletados, como foram utilizados e por que o software foi instalado em primeiro lugar, exigências centrais feitas pelos trabalhadores lesados.
O IWGB foi categórico na avaliação do caso, afirmando que o uso do Teramind “viola tanto as leis de proteção de dados quanto a dignidade básica da força de trabalho, indo além da tarefa legítima de monitorar a produtividade dos trabalhadores ou salvaguardar a segurança da empresa, ao registrar indivíduos em suas casas e sem o seu consentimento.” Por conta disso, o caso foi encaminhado às autoridades britânicas competentes, incluindo o Information Commissioner’s Office (ICO) e o Advisory, Conciliation and Arbitration Service (ACAS).
Como se a crise de vigilância não bastasse, em 12 de abril o sindicato protocolou uma série de denúncias legais separadas, cujo número exato não foi divulgado, relacionadas à onda massiva de demissões que atingiu o estúdio. As acusações são graves e incluem inserção ilegal em listas negras, pedidos de indenização por danos e a alegação de que a empresa não cumpriu a obrigação de realizar consultas coletivas antes dos cortes.
O IWGB não poupou palavras ao projetar o impacto financeiro para o Build a Rocket Boy: “Se tiver êxito, a ação legal, que inclui acusações de inserção ilícita em listas negras, danos e falta de envolvimento em consultas coletivas, poderá custar milhões ao BARB.”
Até o momento, a liderança do Build a Rocket Boy não emitiu nenhuma declaração oficial em resposta aos pedidos de comentário feitos pela imprensa.
Fonte: Multiplayer.it
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