Os acionistas da Warner Bros. Discovery aprovaram, em reunião especial realizada na manhã desta quinta-feira de forma virtual, a venda da companhia para a Paramount Skydance por US$ 111 bilhões, equivalente a US$ 31 por ação. O resultado movimenta David Ellison um passo à frente no controle de um novo conglomerado de mídia em Hollywood. O que os investidores não aceitaram tão bem, no entanto, foi o pacote de saída milionário do CEO David Zaslav e de outros altos executivos da empresa. O voto contrário à remuneração foi majoritário, mas puramente simbólico.
Aprovação esmagadora para o negócio, rejeição para os pagamentos
Segundo a própria WBD, os acionistas votaram “de forma esmagadora” a favor da fusão. A reunião, presidida pelo chairman Samuel A. Di Piazza Jr., durou apenas cerca de dez minutos. Para participar da votação, os acionistas precisavam ter posse de ações da WBD até 20 de março de 2026. Estavam presentes na reunião o próprio Zaslav, o diretor de receita e estratégia Bruce Campbell, o CFO Gunnar Wiedenfels e o diretor de comunicações Robert Gibbs.
Já o voto consultivo sobre a remuneração dos executivos foi rejeitado pela maioria dos acionistas. O problema é que essa votação não é vinculante, ou seja, o conselho da Warner Bros. Discovery pode seguir em frente com os pagamentos exatamente como planejado. O gesto, ainda assim, expõe publicamente o descontentamento dos investidores com os chamados ‘golden parachutes’ do time de saída e não é a primeira vez: no ano passado, os acionistas já tinham votado contra os pacotes de remuneração executiva da WBD.
O pacote de Zaslav: no mínimo US$ 550 milhões
De acordo com um documento protocolado pela WBD, o pagamento de saída de David Zaslav inclui US$ 34,2 milhões em rescisão em dinheiro, US$ 517,2 milhões em participação acionária na empresa e US$ 44.195 em reembolso de plano de saúde. Só isso já soma pelo menos US$ 550 milhões. Além disso, a Warner Bros. Discovery concordou em reembolsar Zaslav em até US$ 335 milhões por impostos cobrados pelo IRS sobre suas ações, valor que, segundo a empresa, deve diminuir dependendo da data de fechamento do acordo com a Paramount.
O executivo ainda contabilizava, até 11 de março de 2026, US$ 115,85 milhões em ações da WBD já adquiridas. No mês passado, Zaslav também vendeu US$ 114 milhões em ações da empresa. Após o fechamento do negócio, ele estará sujeito a cláusulas de não concorrência e não solicitação de clientes e funcionários por um período de dois anos.
Outros executivos também saem com cifras de nove dígitos
O pacote de Zaslav não é o único de valor estratosférico. Outros altos executivos da WBD também estão em linha para receber compensações de nove dígitos com a fusão:
- J.B. Perrette, CEO e presidente de streaming global e games: US$ 142 milhões (incluindo US$ 18,2 milhões em rescisão e US$ 123,9 milhões em ações)
- Bruce Campbell, diretor de receita e estratégia: estimados US$ 121,5 milhões (US$ 18,8 milhões em rescisão e US$ 102,7 milhões em ações)
- Gunnar Wiedenfels, CFO: US$ 120 milhões (US$ 6,6 milhões em rescisão e US$ 113,1 milhões em ações)
- Gerhard Zeiler, presidente de operações internacionais: US$ 82,6 milhões (US$ 11,9 milhões em rescisão e US$ 70,7 milhões em ações)
Um negócio que ainda não está fechado
Apesar da aprovação dos acionistas, a fusão ainda depende de luz verde regulatória do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e de entidades europeias. Não está claro se os reguladores vão impor condições ao negócio. Ao mesmo tempo, procuradores-gerais de vários estados americanos estão avaliando ações legais para bloquear a transação.
A senadora Elizabeth Warren (Democrata, Massachusetts), que se opõe firmemente ao acordo, emitiu uma nota após a votação: “A fusão Paramount-Warner Bros. não é um negócio fechado. Procuradores-gerais em todo o país estão se mobilizando para barrar este desastre antitruste. Precisamos continuar essa luta.”
A oposição também cresce dentro da própria indústria do entretenimento. A campanha BlockTheMerger.com, organizada entre outros pela Writers Guild of America, informou nesta quinta que uma carta aberta pedindo o bloqueio da fusão já conta com mais de 4.000 assinaturas.
Fonte: Variety
