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Criador de PUBG critica IA generativa e diz que seu conteúdo está “degradando a internet”

Brendan Greene, conhecido como criador de PUBG: Battlegrounds, fez declarações contundentes sobre o impacto do conteúdo gerado por inteligência artificial na internet, afirmando que a proliferação desse tipo de material está degradando a qualidade da informação disponível online. Para ele, o problema vai além do volume de conteúdo ruim: trata-se de um ciclo vicioso em que os próprios modelos de linguagem (LLMs) alimentam e perpetuam a desinformação.

Segundo Greene, o mecanismo é simples e preocupante: LLMs varrem a internet em busca de dados para treinamento e acabam absorvendo o lixo informacional que elas mesmas ajudaram a criar. “É um loop — os LLMs estão escaneando essa lixeira e então isso se torna verdade”, disse ele. “É como uma corrida para o fundo do poço.”

De acordo com ele, as IA atualmente possuem um alto nível de alucinação – quando inventam informações – e isso se torna prejudicial devido ao grande contato que o público possui com o conteúdo gerado. “20% das interações online são artificiais, e a quantidade de notícias que agora são geradas por LLMs é impressionantemente alta”, comentou.

A crítica de Greene também mira diretamente a falta de confiabilidade dessas ferramentas. Em uma das falas mais diretas, ele questiona a lógica de confiar em sistemas que, por design, admitem suas próprias limitações: “Como você pode confiar em algo que diz no rodapé que você precisa checar todas as respostas que ele está te dando?”

Greene também demonstrou ceticismo sobre a ideia de que os modelos atuais caminham rapidamente rumo a uma verdadeira inteligência artificial. “Eu não acho que vamos chegar à inteligência tão cedo“, afirmou. “Esses sistemas são apenas modelos estatísticos que basicamente preveem a próxima palavra com base no que já foi dito.”

Segundo ele, existem aplicações úteis para aprendizado de máquina em áreas específicas, mas a forma como grandes empresas estão tentando transformar modelos generativos em serviços amplos pode não escalar bem. “Existem modelos de machine learning muito úteis em domínios especializados, mas a forma como estão usando camadas e GPTs para tentar oferecer o próximo serviço… isso não escala.”

Outro ponto levantado por Greene envolve o impacto físico da expansão dessa tecnologia. Ele criticou a corrida por mais infraestrutura de computação para alimentar sistemas de IA. “Eles querem cada vez mais data centers”, disse. “Há lugares como o estado da Geórgia onde pessoas estão sendo praticamente pressionadas a deixar suas casas por causa disso. Isso me preocupa.”

Para ele, um caminho mais sustentável pode estar no processamento local, em vez de depender exclusivamente de grandes servidores centralizados. “Para fazer esse tipo de trabalho em escala, não dá para depender apenas de um servidor. Você precisa descobrir como fazer isso localmente.”

Apesar das críticas, Greene ressalta que sua própria empresa, a PlayerUnknown Productions, também utiliza modelos de linguagem — mas de forma bastante controlada. “A forma como usamos é muito específica. Quando você trabalha com um conjunto de dados bem delimitado, o sistema pode ser muito eficiente e não sofre tanto com alucinações.”

Fonte: PC Gamer

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Publicado por:
Vinicius Silva Dias

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